Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Alianças em torno de Haddad já preocupam o PT

Partido ouviu um ‘não’ do PC do B e agora tenta se entender com o PR em busca de manter mais um parceiro histórico nas eleições

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 23h19

BRASÍLIA - A falta de aliados com peso político para sustentar a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo preocupa o governo e a cúpula do PT.

 

Até agora, os principais partidos da base de apoio do governo Dilma Rousseff estão divididos: ou têm candidatos próprios ou namoram o PSD do prefeito Gilberto Kassab e o PSDB do governador do Estado, Geraldo Alckmin. Para piorar a situação, as mágoas dos que foram atingidos pelas crises na Esplanada têm contaminado as negociações e atrapalhado Haddad.

 

Desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o tratamento para combater um câncer na laringe, o próprio Haddad entrou em campo, à caça de aliados, mas ainda não obteve êxito. Na quarta-feira, 23, à noite, ouviu um "não" do PC do B, que quer lançar o vereador Netinho de Paula à sucessão de Kassab, e nesta sexta-feira, 25, conversará com a direção do PR, em São Paulo.

 

Defenestrado do Ministério dos Transportes no rastro de denúncias de corrupção, em julho, o PR não se conforma de não ter indicado o substituto de Alfredo Nascimento, hoje senador. "O problema é o seguinte: enquanto não se resolver essas questões nacionais a gente não vai ser Haddad mesmo", resumiu um integrante da Executiva Nacional do PR, que pediu para não ser identificado. Na capital paulista, o partido é controlado pelo vereador Antonio Carlos Rodrigues, suplente de Marta Suplicy (PT).

 

Antigo aliado. O PC do B foi aliado dos petistas nas três últimas eleições para a Prefeitura de São Paulo. Haddad jantou na quarta-feira, em Brasília, com o presidente do PC do B, Renato Rabelo, e com o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, que pretende concorrer a vereador na capital paulista. Em um tête a tête de duas horas, Rabelo contou a Haddad que o PC do B vai enfrentar o PT e lançar candidaturas às prefeituras de São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, São Luiz, Teresina e Rio Branco.

 

Em público, os petistas disseram que os comunistas têm esse direito, mas, a portas fechadas, receberam a estratégia deflagrada pelo antigo parceiro como um golpe. Rabelo, porém, negou que a definição de candidaturas próprias às prefeituras de capitais seja o troco dado pelo PC do B após a queda de Orlando do Esporte.

 

Orlando caiu no mês passado, na esteira de um escândalo de convênios suspeitos com organizações não-governamentais (ONGs).

 

"Levamos algum tempo sem candidaturas majoritárias e era o PT que sempre aparecia, mas agora queremos acumular forças", afirmou Rabelo, que tentou amenizar o racha na base aliada em São Paulo. "Eu acredito que poderemos nos unir no segundo turno, mas deveremos fazer uma espécie de pacto civilizatório." Na tarde de quinta-feira, 24, em São Paulo, Rabelo e Orlando informaram a decisão de não apoiar Haddad a Lula. O ex-presidente elogiou o pré-candidato do PC do B, Netinho de Paula, e disse confiar no casamento dos comunistas com o PT mais à frente.

 

Logo que se recuperar, Lula promete chamar o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para conversas políticas. O ex-presidente avalia que o deputado Gabriel Chalita, postulante do PMDB à Prefeitura, pode ser "um belo vice" na chapa de Haddad.

 

Na prática, Lula está de olho no atraente tempo de TV que o PMDB tem no horário eleitoral gratuito, além do apoio da Igreja.

 

Netinho, do PC do B, seria a segunda opção para vice, por ter um perfil mais popular, que serviria de contraponto a Haddad, nome com mais trânsito na classe média.

 

Uma outra preocupação, no entanto, atormenta os petistas: em São Paulo, o PSB de Eduardo Campos está no governo Alckmin e também flerta com o PSD de Kassab. Campos já avisou o PT que não tem condições de apoiar Haddad. Não é só: o PSB e o PT vivem às turras em outras praças importantes, como Belo Horizonte e Recife. Lula, porém, avalia que pode reverter esse quadro.

 

 

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