Aliança PT-PMDB deve se sobrepor às disputas locais, diz Genro

Ministro, que deixa nesta terça-feira o cargo para disputar o governo do RS, defendeu parceria entre siglas

Agência Brasil,

09 Fevereiro 2010 | 12h07

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta terça-feira, 9, que as disputas regionais não podem atrapalhar a aliança entre PT e PMDB nas eleições presidenciais. Tarso defendeu a parceria entre petistas e peemedebistas em favor da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na disputa pelo Palácio do Planalto. Pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Genro disse acreditar que Dilma terá dois palanques no Estado.

 

"Nós queremos que o PMDB apoie a Dilma. Não tem problema ter dois palanques", afirmou Tarso nesta manhã. "A política nacional não pode prescindir das [políticas] regionais."

 

Tarso terá como prováveis adversários na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul o atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), a governadora do Estado, Yêda Crusius (PSDB), e o deputado federal Beto Albuquerque (PSB).

 

Segundo o ministro, existe uma polarização história entre PT e PMDB que impede a negociação de uma aliança. "Não vai ocorrer aliança no Rio Grande Sul. Há uma questão histórica lá [que impede a possibilidade de negociar uma coligação entre PT e PMDB]", disse ele.

 

De acordo com Tarso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que irá apoiá-lo de forma integral na campanha para o governo do Rio Grande do Sul. "Quando ele me liberou para disputar o governo, ele me disse: 'estou contigo, à inteira disposição, você é o meu candidato no Rio Grande do Sul. O que eu puder fazer para te ajudar, vou te ajudar'."

 

Sem rumo

 

Ao analisar o debate entre a oposição e o governo em torno da disputa eleitoral, o ministro disse que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é o "melhor personagem" entre os adversários do PT. Segundo ele, FHC é que dá o rumo a uma "oposição sem rumo".

 

"O presidente Fernando Henrique é o principal personagem político da oposição, que busca dar um rumo para uma oposição sem rumo", disse o ministro, que deixa nesta terça-feira, 9, o cargo para se dedicar à campanha eleitoral. De acordo com ele, a oposição está "fragmentada" e sem direção. "É o ex-presidente Fernando Henrique que dá uma grande contribuição [ao debate]".

 

O ministro criticou o ex-presidente, que considerou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à sucessão, uma espécie de boneco manipulado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Algumas críticas de Fernando Henrique me parecem muito duras para sua trajetória", disse Tarso Genro.

 

Em seguida, tentou minimizar as críticas. Ele contou que almoçou com Fernando Henrique há dois meses e que teve um diálogo cordial e produtivo. De acordo com o ministro, a conversa girou em torno de ações de combate ao narcotráfico e às drogas. "A participação do ex-presidente eleva o debate e o nível da campanha", afirmou.

 

Segundo Tarso, as críticas pessoais entre integrantes da oposição e do governo fazem parte do clima de campanha, mas não colaboram. "Não é produtivo. Ao centralizar o debate em questões pessoais, ficam afastados os temas programáticos", acrescentou.

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