Aliança pró-Lacerda em Belo Horizonte pode rachar o PT

Agora é oficial. A proposta de aliança com o PSB para a reeleição do prefeito de Belo Horizonte, o socialista Marcio Lacerda, com a indicação do candidato a vice, entrará na pauta de votação do encontro do PT na capital mineira, em data que será definida na próxima segunda-feira (16). O PSB mineiro já convidou o PSDB a participar formalmente da coligação, o que foi aceito pelos tucanos.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

13 de janeiro de 2012 | 19h07

A aliança, apoiada pela presidente Dilma Rousseff, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) pode aprofundar um racha no PT mineiro. Além daqueles que apoiam a coligação, há um grupo capitaneado pelo vice-prefeito Roberto Carvalho que é declaradamente contrário ao acordo e um terceiro, ligado ao ex-ministro Patrus Ananias, que hoje divulgou documento criticando a aliança com o PSDB e a forma como foi conduzido, "com uma série de equívocos de conteúdo e de método", o processo em 2008. Na ocasião Pimentel se aliou ao então governador Aécio Neves (PSDB) para alavancar a candidatura de Lacerda.

Hoje, o grupo favorável à reedição da aliança - da qual o PSDB participou informalmente - apresentou as assinaturas necessárias à inclusão da proposta na discussão da estratégia petista para a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). "É uma decisão política. (Mas) somos um partido político", observou o presidente de honra do PT na capital, Aloísio Marques. "Seguimos a concepção de um projeto nacional. Temos razão política e pragmática (para reeditar a aliança)", acrescentou o presidente do diretório estadual petista, o deputado federal Reginaldo Lopes.

A princípio, Lopes negou que a proposta tenha objetivo de agradar ao PSB, partido em franco crescimento, principalmente no Nordeste brasileiro, e que é assediado também pelos tucanos para a disputa presidencial de 2014. Depois, porém, Lopes assumiu: "Queremos manter o casamento com o PSB. Sempre pensando no projeto nacional", disse.

Na segunda-feira, pouco antes da reunião da executiva municipal que decidirá o calendário para debates e votação das propostas, será a vez dos petistas que refutam a aliança com os tucanos apresentarem abaixo-assinado que teria 2,5 mil assinaturas contrárias à coligação. Roberto Carvalho, que é presidente do PT na capital, não participou do entrega das assinaturas ontem porque estaria "em reunião". Os documentos foram recebidos pelo secretário-geral do diretório, Geraldo Magela Arco Verde.

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