REUTERS/Adriano Machado
REUTERS/Adriano Machado

Aliança pelo Brasil busca igrejas, polícia e Exército por assinaturas

Após desistir de coleta digital, sigla de Bolsonaro vai pedir a apoiadores que reconheçam firma de ficha em cartórios

Pedro Venceslau e Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2019 | 05h00

Depois de apostar – e desistir – da coleta digital de apoio para a criação do Aliança pelo Brasil, aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) agora se articulam com igrejas evangélicas, entidades de classe de policiais militares, Exército e bombeiros para reunir as cerca de 492 mil assinaturas exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a homologação de nova agremiação. E dizem apostar em um método mais rápido de coleta física de apoios. 

De acordo com o advogado Luiz Felipe Belmonte, segundo-vice presidente da Aliança, a aposta agora é levar o eleitor a reconhecer firma, para que a ficha física de apoio à criação do partido seja reconhecida com mais agilidade pelos cartórios eleitorais. A conferência de assinaturas é atualmente uma das fases mais demoradas do processo de homologação de uma legenda – e discrepâncias entre a rubrica dada na ficha de apoio e aquela que consta no título de eleitor leva à anulação de vários apoios coletados. 

Foi essa dificuldade que impediu a Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, de participar das eleições de 2014. A Aliança precisa ser homologada até 4 de abril para poder concorrer nas eleições municipais de 2020. “A ideia é levar o eleitor para reconhecer firma após o preenchimento da ficha, o que agilizaria o processo no TSE”, disse a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP). 

“Temos entidades ligadas a grupos militares que envolvem 900 mil pessoas, sendo que estrutura militar é muito hierarquizada e capilarizada. É um comando e as coisas são atendidas. O Corpo de Bombeiros está em todos os municípios”, afirmou Belmonte. Ele salienta que a maioria dos militares não tem filiação partidária, o que faz deles um público-alvo desejado, já que não é necessária a desfiliação para que o TSE compute o apoio deles à criação da Aliança. 

“Contamos com apoio de igrejas evangélicas, católicas e vamos atuar em áreas mais econômicas, com a região da Bolsa de Valores. O mercado financeiro está empolgado com o Bolsonaro”, disse Zambelli. 

De acordo com a advogada Karina Kufa, uma das responsáveis pela criação do Aliança, o TSE ainda estuda a possibilidade de implementar algum tipo de coleta digital, mas ainda não há definição sobre um mecanismo que garanta segurança, que pode atrasar o processo. Se houver necessidade de contratar uma empresa privada, por exemplo, seria preciso fazer licitação. “Vamos começar no dia 20 a coletar (assinaturas) no meio físico. Não dá para ficar esperando a regulamentação do TSE”, afirmou. O tribunal entra em recesso na quinta-feira. 

Doação

Representantes da Aliança dizem ter conseguido uma doação do custo de 1 milhão de assinaturas eletrônicas – cada uma custa cerca de R$ 200 – para viabilizar a legenda, mas a frente de coleta digital é hoje a possibilidade mais remota. Embora o TSE tenha dito, no início do mês, que é possível registrar apoio dessa maneira, esse método não foi regulamentado. 

“Já recebemos a doação de 1 milhão de assinaturas eletrônicas gratuitas e já tem outro grupo oferecendo 500 mil. O custo para nós será zero. O eleitor teria que fazer apenas o registro da assinatura eletrônica e já no mesmo ato o apoiamento. Empresas da área de certificação eletrônica têm interesse em fazer a divulgação do trabalho deles. Mas não estamos contando com isso”, disse Belmonte.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.