Aliança para 2010 pode de novo isolar Alckmin

Tendência é PSDB atrair PMDB de Quércia, que ex-governador rechaçou

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2008 | 00h00

A engenharia eleitoral do arco de alianças que conduziu Gilberto Kassab à reeleição em São Paulo já desenha um novo projeto político que - mais uma vez - escanteará o ex-governador tucano Geraldo Alckmin do palco principal. Fiador da aliança do DEM com o PSDB e negociador do ingresso do PMDB de Orestes Quércia na aliança vitoriosa de Kassab, o secretário de Emprego e Relações de Trabalho, Afif Domingos, ganhou musculatura para ambicionar dois projetos, ambos conflitantes com os interesses de Alckmin. Na primeira hipótese, o DEM quer fazer de Afif o candidato ao Palácio do Bandeirantes. No segundo cenário, que o PSDB considera mais provável, Afif seria vice de um tucano indicado pelo governador José Serra (PSDB). A aposta geral nos dois partidos é de que este tucano não será Alckmin.Líderes e dirigentes do DEM avaliam que, ao deixar o caminho ao Senado livre para Quércia, o secretário de Serra, que por pouco não venceu o PT do senador Eduardo Suplicy (SP) em 2006, pode ser o ungido para disputar o Palácio dos Bandeirantes.A cúpula do DEM está certa de que, na pior hipótese, Afif já é, hoje, o candidato a vice na chapa do PSDB. Ninguém tem dúvidas de que, estando fora da prefeitura da capital, o PSDB vai pôr empenho máximo no projeto de manter o governo de São Paulo sob seu comando. Isto, é claro, no cenário de Serra trocar o projeto da reeleição pela disputa presidencial. PERFIL SOB MEDIDANo entanto, o entendimento geral é de que o PSDB vai investir em um perfil que possa facilitar a composição nacional com o PMDB, a partir de São Paulo. Neste caso, o DEM acredita que não haveria lugar para um Alckmin, que recusou aliança com Quércia. A opção estaria mais para Aloysio Nunes Ferreira, o chefe da Casa Civil de Serra que, em 1992, foi candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB.Seja qual for o cenário, tucanos e representantes do DEM paulista que acompanharam de perto a eleição municipal crêem que a maior pedra no caminho de Alckmin daqui a dois anos será o próprio Kassab. O raciocínio neste caso é de que o prefeito terá se fortalecido ainda mais até se sentar à mesa de negociação para compor o xadrez de 2010. A seu favor, pesa o fato de que ele poderá ser o único negociador com mais dois anos de mandato pela frente.Mais do que isso, pesa a animosidade entre Kassab e Alckmin, que é bem anterior à eleição. Tucanos e membros do DEM mais próximos do prefeito comentam hoje, nos bastidores, que Kassab quer "ver o diabo", mas não Alckmin à sua frente. Lembram que os problemas começaram quando o deputado estadual Rodrigo Garcia, do então PFL, foi eleito presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, ainda em março de 2005. Em conversas reservadas, Kassab jura que o governador Alckmin participou da articulação para eleger Garcia, sem lhe dar conhecimento, e ainda o acusou de traição. Até hoje o prefeito se queixa da "falsidade". Diz que foi traído e, pior, saiu do episódio com fama de traidor. Um dirigente do DEM que acompanhou aquele momento avalia que Kassab usará toda a sua força política para evitar uma candidatura Alckmin ao governo.

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