André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

'Aliança entre PMDB e PSDB será determinante em 2018', diz líder peemedebista no Senado

Em entrevista ao 'Estado', o senador Eunício Oliveira também afirma que o número de votos na Casa pelo afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff será maior do que o obtido na primeira fase do impeachment

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2016 | 16h27

O senador Eunício Olíveira (CE), líder do PMDB no Senado, é apontado por colegas de partido e no Palácio do Planalto como favorito para suceder o senador Renan Calheiros  (AL) na Presidência da Casa em janeiro de 2017. Integrante da direção nacional do partido, Eunício defende, nessa entrevista ao Estado, uma aliança nacional entre PSDB e PMDB visando às eleições de 2016 e 2018. Sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o senador diz que o número de votos pelo afastamento definitivo da petista será maior do que o obtido na primeira fase do processo.     

Alguns senadores mudaram de posição em relação ao impeachment depois de votar pela admissibilidade. O sr. avalia que Dilma Rousseff pode voltar ao Palácio do Planalto?

Não vejo mais condição do governo anterior voltar a conduzir o processo. Não vislumbro essa possibilidade. Seria muito ruim para o Congresso e o País. Dilma perdeu a capacidade de liderar. Temos que estancar essa sangria, senão o paciente vai morrer. A reação de equilíbrio político e institucional da maioria dos senadores diante das notícias sobre os pedidos do procurador da República demonstra que não haverá uma contaminação entre os assuntos. A tendência majoritária, pela leitura que tenho do plenário, inclusive como líder da maior bancada, é de que não haverá mudança e o afastamento será confirmado, inclusive com um número maior de votos do que os obtidos na primeira fase do processo.

De quantos votos é a margem de segurança?

Não tenho dúvida que é um processo em andamento, mas que vai se consolidar com tranquilidade. Se alguns se tornaram indecisos, outros que não votaram (pelo impeachment) e que tinham outra posição estão agora à favor da manutenção do impeachment. Os senadores Jader (Barbalho), que estava no hospital, e Eduardo Braga, que não estavam no mandato (na votação da admissibilidade) são dois exemplos. Os questionamentos são administráveis.

O sr. tem apoio do PMDB para presidir o Senado? 

Até agora existe uma linha de pensamento da maioria do partido, mas vamos tratar disso na hora adequada. Renan é o presidente até 1.º de fevereiro

Qual foi influencia do presidente da Câmara afastado, Eduardo Cunha, na formação do Ministério de Temer? 

Não tenho essa informação. Aqui no Senado posso afirmar que não houve influência. 

O PMDB vai abrir algum tipo de procedimento interno para apurar os casos envolvendo Sérgio Machado (ex-presidente da Transpetro, que é filiado ao PMDB) e Eduardo Cunha?   

O PMDB, que foi o guarda-chuva da democracia, tem no seu regimento o direito amplo de defesa. O estatuto diz que, se alguém do partido for condenado, não poderá fazer parte dos quadros e será automaticamente desligado. Por isso o partido não fez até agora nenhum movimento em relação a qualquer um dos seus membros.

Qual foi o estrago para o PMDB causado pela divulgação das gravações do Sérgio Machado, que é do partido e do seu Estado?

Não tenho relações pessoais com Sérgio Machado. Ele foi deputado e senador pelo PSDB, mas nunca se elegeu pelo PMDB. Em 2002, tentou mandato de governador pelo PMDB. Teve apenas meu apoio formal. Tínhamos outro compromisso, de apoiar Lucio Alcântara, mas o Machado venceu a convenção. O Juracy Magalhães, que era prefeito Fortaleza, e eu acatamos. Depois nunca mais ele participou de nada. Foi cuidar da vida dele na Transpetro. 

Não é caso de expulsá-lo do PMDB?

Nem sei se ele (Machado) tem alguma filiação ao PMDB. Acho que nem filiado é mais. Se for condenado, será desligado automaticamente. O nivelamento é para todos. Não importa se é o Sérgio Machado ou outro filiado. O regimento é claro: só após a condenação. O PMDB não tem hábito de abrir procedimento antes da decisão justiça. 

Mas qual foi o estrago?

Tenho uma posição pessoal. Não concordo com qualquer tipo de gravação clandestina, mas não vou comentar nada sobre esse cidadão. Desde 2002 rompemos nossa relação. 

O PSDB assumiu a liderança do governo no Senado. Isso significa uma aliança mais orgânica com do partido com o governo Temer? 

A escolha do senador Aloysio (Nunes Ferreira) recebeu o aplauso de todos nós. O PMDB tem visão de que o governo de coalizão, em um regime com 34 partidos, é difícil administrar. Consciente disso, Temer faz uma espécie de parlamentarismo. Ele  manteve aberto o diálogo com Congresso. O PSDB é o nosso aliado.

Acredita em uma aliança eleitoral nacional entre PSDB e PMDB?

Eu acredito que essa aliança entre PSDB e PMDB, que em alguns Estados é conflitante, será construída no Brasil. Trata-se uma construção que será determinante em 2018. Na próxima eleição presidencial, esperamos realizar o sonho de ter uma candidatura própria. 

Com um vice do PSDB?

Ou vice e versa. O importante é que a aliança seja consolidada pensando nas eleições de 2018, e até nas eleições municipais de 2016.

O PMDB poderia então indicar um vice do PSDB? 

Tudo é possível. Temos dois anos e meio para construir essa aliança.

O que acha da ideia de novas eleições gerais? 

Na política e na vida tudo tem o seu momento. Talvez se a presidente Dilma, ao assumir seu governo, tivesse presenciado sentimento das ruas, poderia ter tomado essa iniciativa. Ela perdeu a oportunidade que teve de fazer isso. Agora o País vive a normalidade. Não vejo porque novas eleições. 

Michel Temer nomeou filhos de políticos do PMDB no ministério porque são filhos ou pelo currículo? 

Essa escolha foi pessoal do Temer. Não dá para condenar alguém por ser filho de senador ou governador. Pelo contrário. Talvez a convivência com o pai governador, analisando acertos e erros, pode ser boa. Essa juventude pode ser melhor. Estão no governo por méritos próprios, e não por ser filho. 

A CPMF passaria no Senado?

Criaram uma antipatia a CPMF. O desejo do governo é lutar para não haver necessidade criar novos impostos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.