Aliança é questão do 'partido, não do governador', diz Aécio

PSB se tornou o fiel da balança na articulação para a concretização da aliança entre tucanos e petistas em BH

EDUARDO KATTAH, Agencia Estado

10 de junho de 2008 | 16h21

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), manteve o mistério em relação à participação formal ou informal do partido na aliança com o PT em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) à prefeitura de Belo Horizonte. "Essas questões de formalidade ou não, isso é questão para o partido resolver. Não é uma questão para o governador", disse. Aécio observou, no entanto, que "no caso do PSDB há um grande respeito pelas decisões locais." "No PSDB, não há arrogância de direção nacional. Não há intervenção. No PSDB, há disposição de uma grande construção." Veja Também: Calendário eleitoral das eleições deste ano  O PSB se tornou o fiel da balança na articulação para a concretização da aliança entre tucanos e petistas em Belo Horizonte. Representantes do Diretório Municipal petista, favoráveis à coligação em torno da candidatura de Lacerda, confiam na estratégia do PSB de vincular o entendimento em Belo Horizonte a eventuais apoios para candidaturas do PT no Rio de Janeiro e em São Paulo. Até o início da próxima semana, o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, deverá se reunir com Aécio e o prefeito Fernando Pimentel na capital mineira. A esperança é que a cúpula nacional petista flexibilize a recomendação para que o PSDB seja afastado da chapa.  O PSB nacional já indicou que, se tiver de escolher, prefere uma aliança formal com os tucanos. Aliados de Pimentel, no entanto, admitem que a união só será possível se o PSDB aceitar ficar de fora da coligação formal. "É isso mesmo, temos de fechar nessas condições", observou Marques. "Se o PT não estiver na chapa, não tem como." Poucos acreditam numa flexibilização da resolução que recomendou a exclusão dos tucanos da aliança, mas consideram que um acordo mais amplo pode impedir uma intervenção no caso de coligação informal.  Publicamente, Aécio e o prefeito asseguram que estarão juntos na campanha, mas Pimentel já se mobilizou na hipótese de fracasso da articulação ao exonerar na semana passada o secretário municipal de Políticas Urbanas, Murilo Valadares. O ex-secretário já é apontado como "plano B" do partido, junto com o deputado estadual Roberto Carvalho - pré-candidato a vice na chapa encabeçada por Lacerda - e o deputado federal Miguel Corrêa Júnior. Os nomes são citados em caso de candidatura própria ou composição com outro partido. 'Redução de danos' No próximo sábado, o PT municipal se reúne para avaliar a resolução do Diretório Nacional e a política de alianças. Na noite de segunda, integrantes da direção nacional do partido se reuniram em Belo Horizonte com o grupo do partido em Minas contrário à aliança com os tucanos. A intenção é pressionar pelo cumprimento da resolução, com o lançamento de um candidato próprio ou o apoio à candidatura de Jô Moraes (PC do B). "A resolução do partido não é uma formalidade. PT e o PSDB são projetos políticos nacionais opostos e a eleição de Belo Horizonte tem um significado nacional. Portanto, estaremos em campos opostos", afirmou o secretário de Relações Internacionais do partido, Valter Pomar.  Segundo ele, os defensores da aliança já perceberam que ela não é mais viável e estão executando uma política de redução de danos. "Ficam especulando sobre alternativas, variáveis, possibilidades. Isso não existe." Pomar cobrou que Pimentel cumpra o compromisso assumido com o partido. "Acho que ele tem um problema natural que é de construir um caminho de volta." Texto atualizado às 18 horas

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