Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Aliança do PMDB com o PT está na CTI, diz presidente da Câmara

Eduardo Cunha voltou a defender uma candidatura própria do partido à Presidência nas eleições de 2018

Mariana Sallowicz e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2015 | 16h14

RIO  - Em mais um ataque contra o PT, partido da presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta sexta-feira, 26, que a coalizão entre as legendas "está no CTI (Centro de Terapia Intensiva)". Diante da situação, o parlamentar voltou a defender uma candidatura própria peemedebista à Presidência nas eleições de 2018.

"A coalizão está no CTI. (...) Acho muito pouco provável que você consiga manter qualquer tipo de coalizão com o PT na próxima eleição", disse Cunha em entrevista coletiva a jornalistas internacionais no Rio. Para o deputado, o fato de o PMDB não apresentar candidato a presidente há 20 anos é um problema.

"O PMDB tem que apresentar (candidato). Até porque o processo político tem que ser debatido na eleição. As nossas divergências têm que ser mostradas. Os nossos projetos, aquilo que a gente pensa do País tem que ser do conhecimento da população", afirmou.

O presidente da Câmara citou ainda o ditado que diz que "partido que não joga não ganha". "Se o Flamengo passar 20 anos sem jogar no Maracanã e eu não vir o Flamengo jogar, não vou torcer para ele".

Cunha evitou falar o nome do possível candidato peemedebista à Presidência e desconversou sobre a possibilidade de assumir o posto. "No momento certo, o PMDB saberá  buscar dentro dos seus quadros a construção de uma candidatura que tenha condições de disputar o processo político", disse, enfatizando que ele hoje ocupa a Presidência da Câmara.

"Quem fica refém de ambições futuras perde a condição do exercício pleno da atividade a qual ele se propõe a exercer. O meu compromisso é com o exercício da presidência da Câmara", afirmou.

O parlamentar também criticou a posição do governo durante a votação da reforma política. "A presidente (Dilma Rousseff), no seu primeiro pronunciamento após a reeleição, disse que a prioridade era a reforma política, citando o plebiscito. E o que fizeram esses agentes que defenderam a reforma política? Se esconderam na hora de votar. Não vi uma palavra do governo ou da presidente sobre a reforma política votada", disse.

O presidente da Câmara afirmou que o País vive uma "crise do presidencialismo" e que o PT "não tem condição de governar sozinho". "Nós não temos o presidencialismo de coalizão, temos o presidencialismo de cooptação. Aqueles que são eventualmente cooptados, desistem da cooptação", disse.

Apesar das críticas ao governo e à presidente Dilma, Cunha voltou a refutar a abertura de um processo de impeachment. Segundo ele, 2015 iniciou um novo mandato, e até o momento não se tem nenhuma prova de crime de responsabilidade cometido no novo período, quesito necessário para um impeachment.

"(O impeachment) Não pode ser tratado porque você votou na presidente e você não gosta mais da presidente, se arrependeu do seu voto ou porque seu voto não foi o vencedor. Ele tem que ser tratado de forma que o Brasil não é uma republiqueta, não vai ser uma republiqueta", afirmou Cunha.

O presidente da Câmara reconheceu ainda que não é uma "unanimidade" entre os brasileiros. Mas garantiu que ainda é mais popular que Dilma, que teve a avaliação como bom ou ótimo mais baixa desde o período Collor. "Meu índice de ótimo e bom é 70% maior do que o da presidente da República, então pelo menos ela está mais odiada que eu."

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