Aliança com PFL e Maia vai continuar, avisa Lindberg

Integrante da esquerda petista que quase enfrentou processo de expulsão do partido por atacar a reforma da Previdência, o candidato do PT a prefeito de Nova Iguaçu (RJ), deputado Lindberg Farias, a um ponto de vencer no primeiro turno, avisa: se for eleito, sua aliança com o PFL continuará. Na véspera do comício final da sua campanha, com participação do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o parlamentar, segundo o Ibope com 49% dos votos válidos, disse hoje querer parcerias com o prefeito pefelista do Rio, Cesar Maia, para levar à cidade programas como o Favela-Bairro da capital."Sem o PFL, eu não teria chegado até aqui", disse o parlamentar, que tem 34 anos e presidiu a União Nacional dos Estudantes (UNE) durante o impeachment do presidente Fernando Collor em 1992 e já passou pelo PC do B e pelo PSTU. Oponente do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) e com um discurso de crítica às "oligarquias" que dominam a Baixada Fluminense, onde fica Nova Iguaçu, o parlamentar também disse ter "muito respeito" por outro chefe político fluminense, o ex-governador Marcello Alencar (PMDB).O crescimento de Lindberg, um político nascido na Paraíba, que tinha base eleitoral na zona sul da capital fluminense e não esconde que foi para Nova Iguaçu há um ano e meio para concorrer à prefeitura, tem atraído políticos cuja ausência tem sido notada em campanhas menos vistosas. Além de Dirceu, já estiveram na cidade os ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Tarso Genro (Educação), a ex-governadora Benedita da Silva e o presidente do PT, José Genoino, que fez duas visitas e foi embora "eufórico", segundo integrantes da direção da campanha no município.Lindberg disse que foi "muito importante" a entrada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de Nova Iguaçu, na semana passada, com ataques, por meio de Tarso, às ameaças de Garotinho e da mulher, a governadora Rosinha Garotinho (PMDB), de não repassar verbas para cidades que elegessem candidatos de oposição ao governo estadual."Poderia (com as ameaças do casal Garotinho) ter rolado alguma insegurança do povo", explicou. "Quando o presidente chegou junto, tranqüilizou, mostrou que eu estava com força." Além dos ataques frontais, Lindberg tem enfrentado ataques apócrifos, produzidos pelo que chama de "indústria de boatos". "Eu entro num bar e me perguntam: o senhor vai construir presídio aqui? Vai fazer lixão na cidade? Vai demitir os garis?" ColigaçãoA aliança do PT, PSB e PC do B com o PSDB e o PFL, que sustentaram os oito anos do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, ao qual Lindberg fez oposição, deu ao deputado petista o maior espaço para propaganda na televisão, 13 minutos diários. Uma arma fundamental para enfrentar boatos e os adversários: candidato de Garotinho, o prefeito Mário Marques (PMDB), que chefia uma coligação de 16 partidos, em segundo lugar; o terceiro colocado, Fernando Gonçalves (PTB-PAN-PTC); além de José Renato (PCB) e Carlos Feliciano Santos, o Carlão (PSTU).O crescimento de Lindberg já ultrapassa Nova Iguaçu, levando candidatos petistas em cidades vizinhas a convidá-lo a participar de suas atividades. Hoje, ele esteve em Mesquita, com o candidato do PT a prefeito, Arthur Messias.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.