Aliança com Maluf não tira votos, diz Erundina

Embora admita 'desconforto' com apoio de ex-prefeito, deputada acredita que não será abandonada por eleitores; aliados torcem para união não sair

Débora Álvares, de O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h04

Um dia após reconhecer ao Estado que se sente desconfortável com a aliança com o deputado Paulo Maluf (PP), a deputada e ex-prefeita Luiza Erundina (PSB), pré-candidata a vice em São Paulo ao lado do ex-ministro Fernando Haddad (PT), afirmou que o apoio do ex-prefeito não deve fazer com que seus eleitores desistam de votar na chapa.

"Os que me apoiam não fazem isso por uma questão meramente ideológica, mas pela questão política, de programa de governo, políticas públicas e método de gestão", disse ontem Erundina, antes de encontrar amigos e apoiadores - incluindo ex-secretários de sua gestão (1989-1992).

O encontro ocorreu na casa da ex-secretária de Bem-Estar Social Rosalina de Santa Cruz e reuniu cerca de 30 pessoas, entre sindicalistas, professores e amigos pessoais. "São companheiros e companheiras, alguns que integraram meu governo, mas sobretudo gente que tem muita identidade política e, num momento como esse, não poderia deixar de pedir apoio e ter essas pessoas juntas construindo a campanha e tê-las, eventualmente, num futuro governo, participando dele", explicou a deputada.

Torcida. Amiga pessoal de Erundina e anfitriã do encontro, Rosalina disse torcer para que a aliança com o PP não se concretize. "Maluf não tem a ver com a proposta que a Luiza defende e sempre defendeu, que é a de uma cidade democrática, socialista, da alegria, onde o povo seja respeitado. Nenhum de nós está gostando", afirmou.

Rosalina explicou que o encontro teve caráter de apoio pessoal à decisão de Erundina e não discutiu eventuais propostas de governo que a deputada vá defender na chapa com Haddad. A pré-candidata, no entanto, quer futuramente debater propostas com parte dos amigos e colaboradores que encontrou ontem.

"Não é correto incorporar propostas de 20 anos atrás. A cidade é outra, são outros desafios, mas as pessoas com quem a gente vai construir tudo isso são as que vieram daquele período", disse Erundina. "Num governo com coligações, o programa deve integrar propostas, ideias e visões das forças que estão integrando esse governo."

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