Aliados tentam relacionar início de escândalo com governo FHC

Assessores da base investigam indícios de atuação irregular de ex-diretor na estatal no período de gestão tucana

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2014 | 21h56

Integrantes da base aliada na CPI Mista da Petrobrás pretendem explorar no depoimento que o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa vai prestar nesta quarta-feira, 17, a ascensão dele durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

O objetivo dos governistas é tentar driblar o acordo de delação premiada que Costa realiza com a Justiça Federal do Paraná e, ao mesmo tempo, desviar o foco das suspeitas de que houve corrupção e um esquema de pagamento de propina a políticos durante os governos Lula e Dilma. 

O juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso, reafirmou ontem o direito de Costa de não se incriminar durante o depoimento. Mas parlamentares da base e da oposição acreditam que Costa pode revelar fatos não ligados diretamente à delação. 

A estratégia dos aliados é mostrar que, se Costa atuou mesmo no esquema de corrupção da Petrobrás, o início do esquema ocorreu em governos tucanos. O ex-diretor, que entrou para a estatal em 1977 por concurso público, ocupou na gestão FHC cargos de gerente-geral de produção responsável pelas bacias de Campos, Santos e Pelotas, gerente de Gás da Área de Abastecimento e diretor da Gaspetro. 

Um grupo de 10 assessores da base passou nos últimos dias um pente fino na atuação de Costa nesse período a fim de encontrar indícios de atuação irregular dele desde o governo do PSDB. A análise vai embasar as perguntas que o relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), e de outros parlamentares aliados. “O Paulo não aprontou somente agora”, afirmou um técnico da base aliada da CPI. 

A avaliação reservada da base aliada e da oposição é a de que o ex-diretor não vai delatar o envolvimento de políticos no esquema por fazer parte do acordo de delação. Se ele falar, dizem, pode perder o direito à redução de pena costurado no acordo, que ainda não foi chancelado pela Justiça. 

Embora a presidente Dilma Rousseff tenha dito não temer a eventuais declarações do ex-diretor, a ordem no Palácio do Planalto é ficar atento e atuar em sintonia com a base aliada. O ministro Ricardo Berzoini, das Relações Institucionais, por exemplo, só vai deixar o governo para reforçar a coordenação da campanha após o depoimento de Costa. 

O presidente da CPI mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que o depoimento de Costa pode ser realizado em sessão fechada, se houver um entendimento entre os integrantes da comissão. Esperam que o ex-diretor revele detalhes sobre corruptores, o que poderia levar a CPI a quebras de sigilo que demoram meses para ocorrer na Justiça. 

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