Aliados sugerem Ministério do Trabalho para Marta

Diante da pressão do PT para que a ex-prefeita Marta Suplicy assuma o comando do ministério das Cidades, desalojando o PP do ministro Márcio Fortes, líderes da base governista reagiram ao aumento da cota de poder dos petistas e sugeriram outra solução ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: que entregue à petista o ministério do Trabalho e Emprego, para que não haja desequilíbrio de forças na base aliada. A pasta também vem sendo comandada por um petista, o ex-presidente da CUT Luiz Marinho. "A Marta não vai para lá se for na base da miséria", diz um interlocutor do presidente Lula. Segundo ele, o ministério do Trabalho tem "enorme potencial", desde que o orçamento não seja minguado. "Com garantia de recursos para programas de qualificação profissional, geração de renda, saúde e bem-estar do trabalhador, este ministério pode se tornar uma máquina fortíssima e Marta pode sair de lá como uma Evita Perón", completa o interlocutor. O Conselho Político do PT aguarda um chamado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar de reforma ministerial. "Por enquanto está tudo na cabeça do presidente, e a decisão não foi tomada. Ninguém está garantido nem descartado do ministério", resume o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). Depois de alardear que Lula garantira ao partido a permanência de Fortes nas Cidades, a cúpula do PP recusa-se, agora, a "bater boca" com petistas que contestam a informação, e dizem que o endereço do ministro na Esplanada não está definido. Segundo um importante dirigente do PP, a permanência de Fortes no cargo é considerada "um assunto encerrado" e o partido não cogita sequer analisar uma possível proposta de troca das Cidades pela pasta da Agricultura. "Se tirarem nosso ministério, não precisam dar mais nada ao PP, porque não aceitaremos compensação para contemplar o PT", emenda o dirigente, ao prever a abertura de uma crise política na base, caso Fortes seja despejado. Além do PT e do PP, a cúpula do PMDB na Câmara também espera ser convocada ao Planalto para tratar de reforma. Na semana passada, a direção do PSB saiu do gabinete presidencial dizendo que Lula queria adiar as mudanças no ministério para a segunda quinzena de março. A cúpula peemedebista, no entanto, diz que, na conversa com o PMDB, Lula se declarou disposto a encerrar a reforma até 2 de março. "Essa conversa está valendo. Se quiser adiar, espero que o presidente nos chame para avisar", diz o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Segundo ele, o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer, falou por telefone com o ministro Tarso Genro, das Relações Institucionais, depois da manifestação do PSB, e foi informado de que a conversa com os peemedebistas está de pé, no que se refere ao prazo para a conclusão das mudanças na equipe. Na avaliação do líder, adiar a reforma por conta da convenção nacional do PMDB, que elegerá nova direção no dia 11 de março, não faz sentido. Embora Temer vá disputar a reeleição com o ex-deputado Nelson Jobim, Alves afirma que, no que diz respeito à Câmara, a convenção não vai alterar nada. "A bancada sabe muito bem o que quer e está muito definida (no apoio ao governo)", diz o líder.

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