Aliados sugerem legalizar bingo para financiar saúde

Em reunião fechada do conselho político do governo, líderes aliados pressionaram o Planalto a defender a legalização dos bingos para usar parte dos recursos do jogo para a saúde ou para o aumento do salário mínimo. O líder do PR, deputado Sandro Mabel, propôs que o dinheiro de parte da arrecadação dos bingos fosse para a saúde, ao invés de o governo criar um novo imposto.

TÂNIA MONTEIRO E LEONENCIO NOSSA, Agência Estado

17 de novembro de 2010 | 17h35

Já o líder do PDT, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, disse que os recursos poderiam ajudar a pagar um valor maior para o salário mínimo. As declarações foram vazadas pelo sistema interno de som do Palácio do Planalto.

O relator do projeto de Orçamento, senador Gim Argello (PTB-DF), avisou que "tem margem" para subir o salário mínimo em 2011, mas avisou que o ministro da Previdência, Carlos Gabas, pediu que "segurasse em R$ 540" para evitar problemas para as prefeituras, que não terão como pagar os novos valores. Segundo Argello, se o mínimo ficar entre R$ 560 a R$ 600, vai bater no pico de R$ 700 no ano que vem e já tem abaixo assinado de mais de 600 prefeituras contra o reajuste".

Mabel chegou a ironizar o aumento do poder aquisitivo da população. "Paulinho, nesta questão do aumento do salário, precisa tomar cuidado. O povo quando fica rico, fica mais exigente", afirmou Mabel.

Pouco antes da discussão do salário mínimo, o deputado Paulinho da Força chegou a ameaçar o futuro governo de Dilma Rousseff com uma greve nacional das polícias militares, caso a PEC 300, que fixa o piso de R$ 3.200 para os policiais militares e bombeiros dos Estados não seja aprovada. Paulinho fez a advertência, após ouvir do líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), que era melhor que este assunto fosse conversado somente no ano que vem, pela presidente Dilma e os governadores. "É preciso continuar firme e não permitir que se crie dificuldades para o novo governo", afirmou o petista.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, um dos que falou pelo governo, pediu aos parlamentares da base aliada que "não aprovassem projetos que implicassem em aumento de gastos", referindo-se não só à PEC 300, mas ao aumento do judiciário. Segundo o ministro, a PEC 300 geraria gastos de R$ 43,5 bilhões por ano. Ele reclamou que o impacto do judiciário é de R$ 7 bilhões e também que muitos servidores recebem além do teto. "Como vai dar reajuste se o cara ganha mais que o teto?"

O som da reunião foi cortado pouco depois da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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