Aliados reclamam de improvisos de Serra

Líderes regionais queixam-se de centralização e falta de entrosamento na estrutura nacional da campanha e reclamam da agenda do candidato

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo / BRASÍLIA

15 de junho de 2010 | 00h02

O lançamento oficial da candidatura do tucano José Serra à Presidência impõe o desafio de acabar com o improviso na campanha do PSDB. É o que dizem, nos bastidores, lideranças regionais do partido, inconformadas com a centralização e com a falta de entrosamento da estrutura nacional da campanha com os líderes da legenda Brasil afora.

 

Há um reconhecimento geral de que Serra está de fato mais simpático e de que ele até melhorou um pouco em relação à falta de horário, embora ainda esteja longe de ser pontual nos compromissos. Mas prevalece a avaliação de que a campanha segue "muito voluntarista". Há queixas de que o candidato não acredita em agenda de partido e sempre cria, à última hora, o próprio roteiro.

 

Em defesa do comando da campanha e do estilo Serra de se movimentar na caça aos votos, o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) diz que não houve uma reclamação sequer das viagens que o candidato fez - o que, a seu ver, comprova os acertos. Com a autoridade de quem ajuda Serra a montar os roteiros, o deputado afirma que o "conceito" adotado é o das visitas rápidas, voltadas para a mídia local e para o contato com populares.

 

Tudo, é claro, sem descuidar da "simbologia" do palanque. Não se admite uma viagem a Pernambuco, por exemplo, sem a presença do senador e candidato ao governo Jarbas Vasconcelos (PMDB), ou dos senadores Marco Maciel (DEM) e Sérgio Guerra (PSDB), comandante nacional dos tucanos.

 

"Mas se ele precisar visitar a Bahia e eu não puder estar lá, paciência. A viagem não será melhor ou pior por isso", destaca Jutahy. "O importante é que, pela primeira vez, Serra uniu PSDB e DEM na Bahia, da mesma forma que construiu a maior unidade que um candidato a presidente já teve em São Paulo", completa o deputado, convencido de que "fazer agenda é administrar pressão".

 

Foi assim na Marcha dos Prefeitos a Brasília, no dia 19 de maio. Na saída do encontro, Serra soube que todos os deputados estaduais do PMDB gaúcho queriam se reunir com ele. Mudou o roteiro de viagens, porque não podia negar o apelo, tomando o cuidado de acertar uma agenda conjunta com PSDB, PPS e PP. Ele adiou a visita a Campo Grande, mas acabou indo lá para receber o apoio do candidato da aliança André Puccinelli (PMDB).

 

"Descolamento".

 

Se por um lado Serra tem ido bem nas articulações regionais e a montagem dos palanques está bastante adiantada, líderes locais advertem que a militância está desmobilizada e desmotivada. Pior, acrescentam, é que começa a haver um certo "descolamento" entre as campanhas estaduais e a nacional.

 

Os mais interessados em colaborar dizem que a centralização excessiva inibe iniciativas de lideranças locais. O resultado é que os líderes acabam se sentindo dispensados de atuar, sobretudo quando a adversária, a petista Dilma Rousseff, vai bem e todos estão preocupados com a sobrevivência política no próximo governo.

 

A reclamação corrente é que compromisso e engajamento pressupõem parceria. Mas só se é parceiro quando há entrosamento entre as campanhas locais e a nacional.

 

Marqueteiro. Também há uma desconfiança e grande expectativa no que se refere ao desempenho do marqueteiro Luiz Gonzalez nos programas de televisão do PSDB. As queixas neste caso são de que a estrutura de comunicação está "tão fechada e centralizada" que Gonzalez não participou sequer do encontro dos partidos aliados que lançou Serra, nem da convenção nacional que oficializou a candidatura no sábado, em Salvador.

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