Aliados rechaçam resolução do PT que critica Senado

Senadores da base aliada, do PT também, criticaram a resolução aprovada no final de semana pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores que cita o "funcionamento oligárquico" do Senado como um dos ingredientes que levaram ao que chamam de crise de legitimidade do sistema político. Eles rechaçaram a resolução, qualificando-a de "incompreensível" e até de "meio autista".

RICARDO BRITO, Agência Estado

23 de julho de 2013 | 19h37

"É incompreensível isso (a resolução), uma vez que nesta legislatura tem sido o Senado que tem dado sustentação ao governo", afirmou o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), que não se considera integrante de uma oligarquia, por não ter parente ou familiar na política. Ele disse que, durante o governo Dilma Rousseff, a bancada do partido na Casa "tem sido muito mais fiel" do que a da Câmara dos Deputados, às vezes, destacou, até mais do que o próprio PT, partido da presidente.

O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) disse que a crítica feita na resolução traz consigo uma "desfaçatez", pois os petistas, segundo ele, têm sido sócios da atual hegemonia política no Senado. "Me parece uma coisa meio autista", acusou o capixaba, lembrando que nesta e na legislatura passada a primeira vice-presidência do Senado é ocupada por um petista.

"Essa coisa de querer jogar a carga ao mar, tudo bem. Quer jogar, joga, mas é complicado passar o tempo todo de mão dada, sócio do condomínio e dizer que não tem nada com isso?", alfinetou Ferraço.

Primeiro senador eleito da história do PT, Eduardo Suplicy (SP) não concordou com o teor da resolução. "Se for para falar isso do Senado, tem que falar também da Câmara dos Deputados. No que existe aqui de oligárquico, tem algo igual na Câmara também", disse o petista, que não participou do encontro do partido por ter tido um compromisso familiar que já tinha marcado anteriormente.

Suplicy lembrou que volta e meia integrantes do próprio PT pedem a extinção do Senado. Contudo, ele observou que muitas vezes o Senado tem tomado decisões "mais progressistas" do que a Câmara, citando o exemplo da rapidez na tramitação de uma proposta de emenda à Constituição que desapropriava áreas rurais onde ocorra trabalho escravo e uma série de propostas de reforma política. Ele disse que a natureza da eleição para o Senado, majoritária, em que não há voto de legenda ou em coligações partidárias, garante na maioria das vezes uma perspectiva mais progressista do que na Câmara, Casa Legislativa em que a votação é proporcional.

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