Aliados querem Serra mirando 2010 desde já

Jorge Bornhausen convocou o governador a ?fazer política?; Jarbas Vasconcelos quer discutir aproximação entre tucano e ala do PMDB

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

05 de abril de 2008 | 00h00

A ofensiva eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desfilando com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a tiracolo apesar da turbulência do dossiê para intimidar tucanos, não deixou dúvidas. Certos de que o movimento do governador mineiro Aécio Neves (PSDB) para forçar o debate da candidatura presidencial tucana foi apenas mais um sinal de que o jogo sucessório de 2010 começou, aliados do governador de São Paulo, José Serra, querem vê-lo em campo já. Tanto é que ele foi surpreendido na semana passada com um sonoro "mexa-se e faça política".O recado direto, em tom de convocação, foi dado pelo ex-senador e ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen (SC), embora Serra imaginasse que o motivo da visita seria o apoio à reeleição do prefeito da capital, Gilberto Kassab.Parlamentares e governadores do PMDB, do DEM e do PSDB, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem Bornhausen estivera antes, têm aconselhado Serra a tratar menos dos problemas da disputa pela prefeitura paulistana e mais das articulações com vistas a 2010.A pressão começa a dar resultado: a agenda do governador vai incluir um roteiro de contatos com lideranças políticas de todo o Brasil, começando por uma reunião-almoço em Brasília com o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), nos próximos dias.Estimulados pelas dificuldades do PMDB em fechar alianças com o PT em várias capitais, peemedebistas de várias alas começam a trabalhar com a alternativa da velha parceria com o PSDB. Serra tem trocado telefonemas com o presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), e alguns governadores do partido.Foi de Jarbas Vasconcelos a iniciativa de procurar o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), na terça-feira, para sugerir que Serra saia da toca e comece a se articular. "Falei da importância de o Serra se movimentar e procurar conversar dentro dos partidos", relata Jarbas, que por pouco não foi candidato a vice na chapa presidencial de Serra, em 2002. SIMONA idéia, agora, é fazer do almoço do governador com Jarbas o ponto de partida de uma articulação maior, com a ala descontente que não quer conversa com o PT nem com o governo Lula. O sonho dos serristas é ter o senador Pedro Simon (PMDB-RS) à frente da organização de um movimento pró-Serra no PMDB dissidente, para fazer frente à ofensiva dos governistas que sonham em filiar Aécio Neves para sair com candidato próprio na corrida presidencial de 2010.O DEM quer discutir 2010 porque, para eles, 2008 já está definido: o prefeito Gilberto Kassab disputará a reeleição, seja Geraldo Alckmin (PSDB) candidato, ou não. Enquanto isso, o próprio Kassab se incumbe de embalar a candidatura de Serra. "O Brasil só tem a ganhar, caso o governador José Serra chegue à Presidência, já que o considero um homem credenciado para ocupar todos os cargos da vida pública. E, como ele já ocupou quase todos, só falta mesmo o de presidente", afirmou o prefeito ontem, no encerramento do 52º Congresso Estadual de Municípios, em Santos.Diferentemente do PMDB, que trabalha com duas alternativas de candidatura tucana ao Planalto, a aposta do DEM para 2010 resume-se a Serra. Bornhausen deixou isso claro na conversa com o governador ao observar que pesquisas o apontam como "o projeto viável de poder no campo da oposição".Sérgio Guerra não opina sobre candidaturas presidenciais tucanas, mas está convencido de que a antecipação de 2010 não tem volta. "Há uma campanha em andamento, que tanto pode ser a da ministra Dilma como, na impossibilidade, do próprio Lula", afirma.Vários petistas, como o líder na Câmara, Maurício Rands (PE), e o senador Aloizio Mercadante (SP), dizem que o clima de campanha envenena o ambiente político. Para eles, a antecipação de 2010 é um erro, sobretudo diante da crise na economia norte-americana.

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