Christina Rufato / Estadão
Christina Rufato / Estadão

Aliados agora admitem Doria no governo de SP

Alguns dos mais próximos correligionários do prefeito passaram a defender essa hipótese, que conta com o apoio do governador Alckmin

Pedro Venceslau, ENVIADO ESPECIAL / ASSUNÇÃO

22 de outubro de 2017 | 20h22

O grupo político do prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) passou a admitir reservadamente a hipótese de o prefeito se candidatar em 2018 ao governo de São Paulo e não mais à Presidência da República. A hipótese que antes era descartada  pelos correligionários mais próximos de Doria encontra apoio até do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que vê a composição entre os dois como uma forma de pavimentar de vez sua candidatura ao Palácio do Planalto no próximo ano. Até o início deste mês, Doria e seus auxiliares diretos rechaçavam com veemência essa possibilidade.

Porém, integrantes do grupo de Doria resolveram aconselhar o prefeito a buscar a composição com Alckmin ao mesmo tempo que a popularidade do prefeito começou a sofrer desgaste conforme as mais recentes pesquisas. Doria deve ainda mudar de estratégia e reduzir o número de reuniões internas para intensificar agendas públicas na capital. Até agora, Doria só trabalhava com um cenário: a disputa pela Presidência da República no ano que vem.

A solução de uma aliança entre Alckmin e Doria teria a vantagem ainda de pacificar a legenda em São Paulo e consolidaria o nome do governador internamente no PSDB. Questionado sobre esse cenário, Doria deixa uma porta aberta. “Toda solicitação que venha do governador Geraldo Alckmin vai merecer meu respeito e atenção”, disse o prefeito ao Estado em entrevista publicada na semana passada.

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, Doria tem 32% de aprovação, 26% de rejeição e 40% de avaliação regular entre os paulistanos. Há quatro meses, ele tinha 41% de avaliação ótima/boa, 22% de ruim/péssima e 34% de regular.

Além da pesquisa que detectou um aumento da rejeição à gestão Doria, no entorno do prefeito a avaliação reservada é de que Alckmin tem, hoje, amplo favoritismo em uma eventual prévia, e que o desgaste de disputar o Palácio do Planalto por outro partido seria grande. A movimentação recente do governador, que disse na sexta-feira, 20, que se prepara para concorrer à Presidência em 2018, deixou claro que o debate interno agora se dará diretamente.

Faltando um ano para as eleições, o Palácio dos Bandeirantes "colocou o bloco na rua" e vai nacionalizar o discurso do governador. Já o discurso no entorno de Doria e Alckmin sobre a disputa em São Paulo converge: com a retaguarda do Palácio dos Bandeirantes, o prefeito seria o nome mais forte do PSDB na disputa. Para Alckmin, é mais fácil o eleitor aceitar que o afilhado "saia da capital para ajudar São Paulo" do que se arriscar em uma disputa nacional.

A resistência de Doria demonstrada até agora a aceitar essa possibilidade, no entanto, abriu espaço no PSDB para outros interessados em concorrer ao Bandeirantes. O senador José Serra (SP) já disse interlocutores que avalia disputar a indicação e está conversando com prefeitos do interior. Além dele, o cientista político Luiz Felipe d'Avila, o secretário estadual de Saúde, David Uip, e o secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo, Floriano Pesaro, também manifestaram interesse no cargo.

Procurado, o prefeito afirmou que permanecerá trabalhando por São Paulo e que não iria comentar o posicionamento dos aliados.

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