Aliados preferem que Marta espere

Para eles, o melhor é deixar que PSDB e DEM se definam antes

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

10 Janeiro 2008 | 00h00

Aliados da ministra do Turismo, Marta Suplicy, vão trabalhar para anular as pressões de setores do PT para que ela defina o mais rápido possível se será candidata à Prefeitura de São Paulo. O grupo, fiel à ex-prefeita desde a época em que era deputada, não quer que, por causa da cobrança, a definição saia antes do prazo máximo imposto pela Lei Eleitoral - quatro meses antes da eleição, ou seja, 5 de junho.A estratégia é deixar PSDB e DEM se digladiando para definir quem será o candidato da coligação ou até se romperão a aliança histórica na capital. O DEM quer que o prefeito Gilberto Kassab concorra à reeleição, mas setores do PSDB querem a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin.De olho na contenda, os aliados da ex-prefeita querem convencer o PT de que o melhor seria segurar o lançamento de sua candidatura até o último instante, como fez o governador José Serra (PSDB) na disputa pela prefeitura em 2004, em que derrotou Marta, que tentava a reeleição. "Quem tem pressa em ter definições são eles (PSDB e DEM). Quanto mais tempo, melhor. O problema hoje é entre o Kassab e o Alckmin", afirmou o ex-presidente municipal do PT e vereador Paulo Fiorilo.Levada para o governo Lula como ministra, Marta até agora não admitiu ser candidata, mas tem repetido que a pressão é grande e já deixou escapar o interesse por entrar na disputa, desde que haja amplo acordo no PT. Mas ela não tomará essa decisão antes que o próprio presidente aprove, com a liberação do cargo, segundo apurou o Estado. Quando assumiu o novo mandato, Lula ressaltou que não queria nenhum ministro que deixasse o cargo para se candidatar.Marta também é cotada para suceder Lula ou disputar o governo em 2010. Nessa perspectiva, seus aliados querem convencer o PT de que a candidatura à prefeitura, independentemente do resultado, ajudaria a projetar mais seu nome. Petistas de São Paulo, porém, alertam para eventuais danos à sua imagem, caso a ministra concorra à prefeitura e saia novamente derrotada.

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