Aliados não indicarão membros para a CPI, informa Renan

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, informou por volta das 13h30 ao presidente do Senado, José Sarney, por telefone, que os líderes da base aliada não vão permitir a abertura da CPI dos Bingos porque não vão indicar os representantes partidários para o funcionamento da comissão. Segundo Calheiros, Sarney teria concordado com a posição dos líderes. "Não tem sentido esta investigação agora. Seria uma investigação política, que só se justifica quando há obstáculos às apurações, e isso está sendo feito pela Polícia Federal e Ministério Público. Vamos fazer o que for necessário para não haver CPI", disse Calheiros a Sarney. Calheiros afirmou que a Câmara já fez uma CPI dos Bingos no passado e agora "estão querendo transformar o Congresso em palanque em um ano eleitoral. "Não há necessidade de investigação política" reiterou. "A quem interessa a desconstrução do governo?" As reações antes do anúncio da decisãoPouco antes que essa decisão fosse anunciada, mas diante dos rumores de que essa seria a posição da base aliada,diversos senadores já se manifestavam contra uma eventual obstrução da criação da CPI. A senadora Heloísa Helena (sem partido-AL) disse que, se agirem contra a instalação da CPI, , os senadores da base aliada ficariam sob suspeita e que uma estratégia dessa será "muito feio" numa casa legislativa. Ela pediu que fosse esclarecido o que está realmente acontecendo na Casa, levantando mais uma vez suspeitas de que o governo estaria atuando num balcão de negócios no Senado. "É preciso acabar com a indústria da chantagem", disse. Para a senadora, o Congresso tem que cumprir a Constituição e instalar a CPI. E o governo, que tem maioria, pode fazer o que bem entender para tentar derrubar a proposta de instalação da comissão.Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que seria uma "estratégia marota" os líderes governistas deixarem de fazer as indicações dos deputados para a composição da CPI. Essa é uma estratégia da covardia", afirmou. O senador Pedro Simon (PMDB-RS), um dos que assinou o requerimento, disse que não existe "uma ditadura dos líderes" e que se o líder do PMDB, Renan Calheiros, quiser tomar essa atitude, ele terá que reunir a bancada. Simon lembrou que no governo Fernando Henrique os senadores que hoje estão insistindo na CPI dos bingos retiraram as assinaturas ao requerimento de sua autoria para investigar a ação dos empreiteiros. Na avaliação de Simon, há fato determinante que justifique a CPI dos bingos, ao contrário do que comentam os governistas. Segundo o senador, a MP proibindo o funcionamento dos bingos é uma medida para vigorar a partir de agora. "A CPI não é para investigar os bingos do futuro, mas o que aconteceu no passado. Há sim fato determinante. E caso os líderes não indiquem os integrantes da CPI, o presidente do Senado, José Sarney, terá que tomar essa iniciativa", afirmou.

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