Aliados mostram compreensão, mas com prazo de validade

Expectativa é que em agosto liberações sejam retomadas; já a oposição critica cortes, que vê como custo dos gastos eleitorais

28 de fevereiro de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O PMDB e o PP na Câmara reagiram com compreensão aos cortes no Orçamento. Apesar da boa vontade neste primeiro momento, o líder do PP, Nelson Meurer (PR), alertou para possíveis problemas para a presidente Dilma Rousseff no Congresso se a liberação de recursos não for feita depois de junho. "Vamos dar um prazo para ela (presidente). Se (as liberações) não acontecerem a partir de agosto, ela começará a ter problemas para manter sua base no Congresso", disse o líder do PP.

 

Ele afirmou ter esperanças de que a receita da União continuará crescendo e a inflação se estabilizará. Com isso, analisa, Dilma terá condições de liberar os recursos das emendas ao Orçamento feitas pelos parlamentares.

 

O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), evitou polêmicas. "Os cortes não foram dirigidos para os ministérios A, B ou C. Foi uma questão conjuntural que é grave e que impõe essa proposta de contingenciamento no Orçamento", disse. Ele espera que na quarta-feira, 2, quando Dilma se reunirá com os líderes governistas, sejam dadas explicações mais detalhadas sobre os cortes.

 

"Nós temos de compreender que a presidente está colocando a casa em ordem. É justo que ela tenha até o mês de junho para tomar conhecimento de como se encontram os compromissos assumidos pelo governo anterior", disse Meurer.

 

Para o secretário de comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), os cortes são "necessários e prudentes". "Ninguém corta porque gosta. Não podemos começar o ano com um Orçamento fictício. E o Congresso tem tornado o Orçamento muito elástico, criando receitas onde não existem", observou.

 

Oposição. Os líderes do DEM e do PSDB criticaram principalmente o corte de R$ 5,1 bilhões na expectativa de investimentos no programa Minha Casa, Minha Vida, uma das bandeiras de campanha de Dilma.

 

Para ACM Neto (DEM-BA), o corte no programa habitacional é simbólico. "A presidente começa a descumprir uma de suas promessas de campanha ao cortar o programa Minha Casa, Minha Vida. Este foi um dos principais símbolos da campanha dela." O líder do DEM afirmou que o corte é decorrência dos gastos do governo no período eleitoral.

 

"A farra acabou, a conta chegou", definiu o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Para ele, o governo se excedeu nos gastos no período eleitoral, a fim de garantir a eleição da candidata governista, e agora precisa reduzir investimentos.

 

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), criticou o corte no Minha Casa, Minha Vida e em outras áreas sociais. "É um corte malfeito. Tem corte no Minha Casa, Minha Vida, nos recursos para Apaes e nas creches", reclamou.

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