Aliados liquidam 1º turno da prorrogação da CPMF

De olho nas nomeações para estatais, partidos da base garantem ao governo maioria folgada na votação dos destaques à emenda na Câmara

Eugênia Lopes e Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2007 | 00h00

De olho nas nomeações de seus indicados, os aliados foram fiéis ao governo nas votações que concluíram o primeiro turno na Câmara da emenda que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. O Planalto obteve maioria folgada nas votações, que terminaram na madrugada de ontem. Agora a emenda ainda tem de passar por um segundo turno na Câmara e, se for aprovada, seguir para o Senado, para mais dois turnos.Na principal votação na sessão, de um destaque da oposição que retirava do texto todo o artigo que tratava da CPMF, o governo conseguiu 340 votos a favor, 32 a mais do que o mínimo necessário. O placar registrou 102 votos contrários e 5 abstenções nessa votação, uma das 11 que exigiram o registro no painel.Depois de o PMDB ter assegurado a Diretoria Internacional da Petrobrás, 11 deputados do partido se ausentaram da sessão. Com uma bancada de 94 deputados, o PMDB deu 79 votos a favor na votação que manteve a cobrança da CPMF. Votaram contra Rita Camata (ES), Antonio Bulhões (SP), Francisco Rossi (SP) e Marcelo Itagiba (RJ). Um dos 11 ausentes era o ex-senador Jader Barbalho (PA).Do PR, outro aliado do governo que reivindica cargos públicos, todos os 37 deputados presentes se posicionaram a favor da prorrogação da CPMF - 5 faltaram à sessão. No PP, que tem 40 deputados, apenas 2 votaram contra. Mas houve 5 ausentes. Com uma bancada de 81 deputados, o PT deu 75 votos a favor da CPMF. Faltaram 5 petistas, incluindo o presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP).Assim como na semana passada, a oposição sofreu defecções de deputados que estudam ir para a base aliada. No DEM, três votaram com o governo: Bispo Rodovalho (DF), que já anunciou sua ida para o PR, Jerônimo Reis (SE) e Betinho Rosado (RN). No PSDB, Manoel Salviano (CE) foi novamente contrário à orientação do partido e votou a favor da CPMF. No PPS, três ignoraram a recomendação do partido: Ilderlei Cordeiro (AC), Geraldo Thadeu (MG) e Alexandre Silveira (MG).A base aliada também teve dissidências. No PSB, Luiza Erundina (SP) e Mauro Nazif votaram contra a prorrogação da contribuição. No PV, Fernando Gabeira (RJ) e Dr. Talmir (SP). No PTB, Armando Monteiro (PE), que é presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e Arnaldo Faria de Sá (SP) votaram contra a CPMF.PRÓXIMOS PASSOSAs medidas provisórias passaram a ser o principal obstáculo para a votação, em segundo turno da CPMF. Cinco MPs estarão trancando a pauta entre hoje e 7 de outubro. A expectativa é de que a proposta só seja votada no dia 9. A oposição vai usar as MPs para obstruir as votações com a intenção de atrasar a análise da CPMF. Com as manobras regimentais da oposição, cada MP levou em média nove horas para ser aprovada. O governo precisou revogar três para conseguir pôr em pauta a CPMF.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.