‘Aliados incômodos’ impedem parcerias nos Estados

Marineiros resistem a parceiros locais de Eduardo Campos como o ruralista Ronaldo Caiado e a família Bornhausen

Ediuardo Bresciani e Débora Álvares , Agência Estado

05 de outubro de 2013 | 20h13

BRASÍLIA - O acordo no plano federal entre PSB e Rede não se reproduzirá de forma fácil nos Estados. Aliados de Marina Silva resistem a ficarem lado a lado com alguns dos quadros que já se engajaram no projeto de Eduardo Campos. A tendência é que os dois grupos não apoiem o mesmo candidato a governos estaduais.

Entre os nomes que causam incômodo a integrantes da Rede está o do ex-deputado Paulo Bornhausen, filiado ao PSB e filho de Jorge Bornhausen, um dos fundadores do PFL, atual DEM. O partido de Campos recebeu ainda o apoio para a disputa presidencial de Ronaldo Caiado (DEM), um dos expoentes da bancada ruralista e adversário de Marina em vários debates na área ambiental. Outro nome polêmico é o ex-senador Heráclito Fortes (PI), que deixou o DEM e se filiou há três dias ao PSB.

Marina observou que a coligação não significa um apoio a todos os acordos do PSB. "A Rede não está se fundindo, está se dispondo à construção de um processo para mudar o Brasil. Não está dizendo que vai apoiar candidatura X, Y ou Z nesse ou naquele estado. Em 2010 eu apoiei candidatos do PSB, PT, PC do B e vários partidos", afirmou.

Pedro Ivo, coordenador de organização da Rede e um dos dirigentes que participaram da negociação, disse já está certo que haverá independência nos Estados. "Somos independentes. Não somos obrigados a apoiar o PSB. Nosso compromisso é apenas com a chapa nacional. Em muitos estados podemos ter posicionamentos diferentes."

Outro tema que pode gerar desgaste é a atuação do PSB no novo Código Florestal, proposta que a Rede incluiu até em regras de filiação como um dos motivos para rejeitar a adesão de quem votou de forma favorável à proposta. Na primeira votação, 27 dos 30 deputados do PSB foram a favor do Código.

O debate foi longo e envolveu várias votações. Integrantes da Rede observaram que o novo aliado foi mudando de posição e na última decisão a maioria teria se aliado aos ambientalistas.

No campo nacional, a adesão de Marina também deve promover inflexões no projeto presidencial do governador de Pernambuco. Negociações com o DEM e o PV devem ser paralisadas e as adesões de outros partidos deverão passar antes por uma composição com o grupo da ex-senadora.

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