Aliados fazem ‘escambo’ na Esplanada para garantir comando de ministérios

PMDB negocia com o PR proposta de entregar a Agricultura, nas mãos de indicado por Temer, para receber em troca os Transportes

João Domingos e Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2010 | 20h32

BRASÍLIA - Enquanto a presidente eleita, Dilma Rousseff, descansa até domingo da jornada das eleições, os partidos aliados trabalham para assegurar o maior espaço possível no futuro governo. O PMDB, por exemplo, fez chegar ao PR a proposta de um escambo no feudo ministerial: a Agricultura, hoje ocupada por Wagner Rossi, ligado ao vice eleito, o peemedebista Michel Temer, seria trocada pelos Transportes.

 

 

Se a negociação der certo, e se Dilma concordar, o PR poderia indicar o senador eleito Blairo Maggi (MT) para a Agricultura. E o PMDB passaria a cuidar da pasta que desde 2003 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou ao PR, primeiro para Anderson Adauto, hoje prefeito de Uberaba, depois para o senador Alfredo Nascimento, que disputou o governo do Amazonas e perdeu.

 

O Ministério dos Transportes deverá investir R$ 17 bilhões nas rodovias federais em 2011, 36% a mais dos que os R$ 12,5 bilhões deste ano - R$ 5 bilhões em manutenção de rodovias e outros R$ 7,1 bilhões na ampliação da malha rodoviária.

 

O PSB espichou o olho para um ministério na área da infraestrutura. Em reunião da Executiva Nacional do PSB, ontem, os socialistas concluíram que cairia bem ao partido um ministério tocador de obras em lugar do técnico Ciências e Tecnologia, há oito anos sob o seu comando.

 

"Um ministério na área da infraestrutura para o PSB seria melhor do que o de Ciência e Tecnologia, porque nós elegemos seis governadores, quase todos de Estados pobres que necessitam de muitas obras", disse o governador reeleito do Piauí, Wilson Martins. O deputado Júlio Delgado (MG) concordou: "Seria uma forma de a presidente Dilma mostrar o diferencial em relação ao presidente Lula."

 

Ministérios mais cobiçados são mesmo os da área de infraestrutura, com altos orçamentos e dinheiro para investir em grandes obras. O de Minas e Energia, por exemplo, foi negociado antes da eleição para ser entregue novamente a Edison Lobão (PMDB-MA), que se afastou para disputar a reeleição. Mas o PT também quer essa pasta.

 

Outro órgão importante é o Ministério das Cidades. O PP, ao qual pertence o titular, Márcio Fortes, não aceita abrir mão dessa pasta. O partido teme ser escanteado por ter mantido posição independente no primeiro turno da eleição, embora 20 diretórios e o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), tenham anunciado apoio a Dilma. No segundo turno, o partido todo se jogou nos braços dela.

 

Também querem ficar com o Ministérios das Cidades a petista Marta Suplicy (SP) e o peemedebista Moreira Franco (RJ), que fez parte da equipe de coordenadores do programa de governo de Dilma.

 

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, destacado por Dilma para negociar o espaço dos partidos aliados, tirou folga até o início da semana que vem. Sem ele, os partidos da base não têm com quem negociar, mas aproveitam o tempo para fazer andar seus projetos de ocupação na Esplanada dos Ministérios.

 

Como Dutra é o primeiro suplente do senador reeleito Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), até o nome dele já surgiu nas negociações. Há forte lobby para que Valadares vire ministro. Se der certo, Dutra voltaria ao Senado. Lá, não só reforçaria a bancada governista, como daria tribuna dupla ao governo, tanto como presidente do partido da presidente eleita quanto como senador.

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