Aliados e oposição vão debater plebiscito

Depois da reação do Congresso e de recuar da proposta de uma assembleia constituinte, a presidente Dilma Rousseff convidou líderes da base aliada e da oposição para discutir, no Palácio do Planalto, como realizar o plebiscito sobre reforma política.

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

27 Junho 2013 | 08h49

A ideia inicial era reunir lideranças do governo e da oposição. Mas houve uma certa resistência dos oposicionistas e Dilma resolveu antecipar - para as 11 horas desta quinta-feira, 27, - a reunião com os partidos que a apoiam. À tarde, ela recebe os líderes partidários da Câmara e, depois, do Senado. Os líderes da oposição ficaram para amanhã, 28.

Dilma fez questão de abrir o leque de parlamentares governistas para fazer um afago na sua ressentida base política. Para tanto, marcou encontros separados com deputados e com senadores. Mesmo sabendo que os parlamentares nordestinos já estão envolvidos com as tradicionais festas juninas, a presidente, por meio de ministros e assessorias, apelou às lideranças para que não deixem de comparecer, para se dar prosseguimento às discussões sobre a reforma política e discutir os procedimentos para "atender ao apelo das ruas". Dilma tem pressa na elaboração das perguntas a serem feitas no plebiscito e quer encaminhá-la já com um consenso, para evitar resistências.

Mesmo entendendo que é difícil conseguir apoio da oposição, a presidente insiste na participação de todos, por considerar que essa é uma questão acima dos partidos. "Todos os partidos serão formalmente convidados a apresentar suas propostas", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. De acordo com o ministro, que atua como espécie de porta-voz de Dilma no assunto, não houve nenhum tipo de discriminação.

"Querermos que todos possam contribuir", insistiu o ministro.

Oposição. O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), disse não estar disposto a ir ao Planalto sem uma pauta definida. "Não fomos convidados para nenhuma reunião e, se formos, vamos convocar a Executiva do PSDB para avaliar a pauta. Se for só para tomar cafezinho e ficar ouvindo essa loucura de proposta sobre plebiscito, não dá", disse Aloysio. Antes de ser presidente, Luiz Inácio Lula da Silva também dizia que só havia sentido conversar com o governo em torno de uma pauta.

Aloysio definiu a ideia de convocar um plebiscito como "manobra diversionista" do governo para abafar a crise política. "Antes de pedir que o Congresso convoque um plebiscito, Dilma deve dizer o que pretende com isso".

O plano da oposição, disse ele, é aproveitar a onda de protestos nas ruas para expor o que chama de "fragilidades" da gestão Dilma. "A inflação não está em alta por falta de reforma política, nem os 39 ministérios são exigência desse sistema", advertiu, "Os problemas de corrupção também não decorrem do sistema eleitoral."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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