Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Aliados do PMDB são afastados da Agricultura

Nova titular do ministério, Kátia Abreu faz trocas em secretarias ocupadas por indicados do deputado Eduardo Cunha

Nivaldo Souza, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2015 | 16h50

Atualizado em 07.01

Brasília - A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, deu início nesta terça-feira, 6, a uma "faxina" em cargos ocupados por apadrinhados políticos do PMDB na pasta, especialmente os indicados pelo líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Sem apoio da legenda para ocupar o cargo, o que ficou explicitado pela ausência de peemedebistas graduados na posse da segunda-feira, a ministra decidiu levar técnicos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para ocupar postos estratégicos.

Kátia é presidente licenciada da entidade. Nessas mudanças, a ministra deu prioridade ao comando da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA). Algumas medidas que foram tomadas pelo órgão chegaram a ser consideradas benéficas ao frigorífico JBS, dono da marca Friboi - e alvo de críticas da então senadora (leia mais ao lado). O grupo foi o maior doador da campanha eleitoral deste ano, incluindo o comitê à reeleição da presidente Dilma Rousseff, e fez lobby contra a indicação da ministra. A indicação foi tema de conversa entre o empresário Joesley Batista, um dos donos do frigorífico, e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

O novo chefe da secretaria será Décio Coutinho, que é atualmente assessor técnico da CNA. Ele foi o articulador da entidade na elaboração da Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA), ferramenta criada em parceria com a Agricultura para fazer a gestão operacional do setor agropecuário e reforçar o controle sanitário do rebanho bovino brasileiro.

Coutinho substitui Rodrigo Figueiredo, que chegou ao cargo em 2013 por indicação de Cunha. Sob a gestão de Figueiredo, a secretaria tomou uma série de decisões que teriam beneficiado o JBS - a empresa nega ter sido favorecida. O secretário nunca rebateu as acusações, apesar de inúmeros pedidos de entrevista feitos pelo Estado.

Em seu discurso de posse, Kátia Abreu afirmou que sua gestão não vai beneficiar nenhuma empresa, sem citar nomes. "Este será o ministério dos produtores rurais, sem nenhuma espécie de divisão ou de segregação. E das empresas, este será o ministério da produção. Mas será, acima de tudo, um ministério do diálogo e dos brasileiros."

Russos. Outra troca promovida por Kátia vista como prejudicial ao PMDB foi na Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio. Ela nomeou a superintendente de Comércio Exterior da CNA, Tatiana Palermo, para o lugar de Marcelo Junqueira Ferraz, que ascendeu ao posto também por indicação de Cunha.

A nova secretária é nascida na Rússia e naturalizada brasileira. Ela é vista como peça estratégia por Kátia Abreu no momento em que o governo russo abre seu mercado para produtos brasileiros - especialmente carne suína e de frango - em meio à tensão com os Estados Unidos e a União Europeia em razão da anexação de parte da Ucrânia.

No Recife, onde visitou o prefeito Geraldo Julio (PSB) e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), Cunha se limitou a dizer que os cargos não são dele e que "o problema é do Senado, porque os cargos pertencem ao partido".

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