Aliados do peemedebista têm histórico turbulento

Parlamentares que no passado estiveram em situações semelhantes ou até mais graves que a vivida pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), assumiram a linha de frente para manter o peemedebista no cargo. Dentro da tropa de choque de Sarney, não faltam parlamentares com currículos recheados de escândalos de corrupção, denúncias e ações na Justiça. À frente do time, o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), teve ele próprio de abandonar a presidência do Senado em dezembro de 2007. A queda teve início diante da suspeita de que a construtora Mendes Júnior pagava a pensão de sua filha com a jornalista Mônica Veloso. Alvo de inquérito no STF, Renan alega que a investigação ocorreu a seu pedido. O senador Fernando Collor (PTB-AL), que também se destaca na linha de frente em apoio a Sarney, perdeu a Presidência da República após ser alvo de impeachment, pelo esquema de corrupção operado pelo tesoureiro de sua campanha, Paulo César Farias. Ele ainda enfrenta uma ação no STF, referente à contratação de empresas de publicidade, de 1990 a 1992. Além disso, é investigado por crime contra o sistema tributário. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) é investigado no STF por sonegação fiscal e apropriação indébita previdenciária. No início da semana, ele deu o tom do discurso em defesa a Sarney. "Na atual conjuntura, não tem ninguém limpo no Senado. A ética que era praticada pelos senadores não é mais aceita pela sociedade. Isso tem de mudar. Agora, o que não pode é encontrarem apenas um boi de piranha para isso, um boi com bigode", afirmou. Já o senador Gim Argello (PTB-DF), informa o STF, tem duas ações contra ele - uma por crime previsto na Lei de Licitações, outra por peculato, corrupção passiva, lavagem de bens. Esta última aguarda denúncia. Argello nega as acusações e apresenta certidão negativa em sua defesa. Outro membro da tropa, o ex-ministro Romero Jucá (PMDB-RR), é alvo de ação por crime de responsabilidade. É ainda suspeito de compra de votos. Outras ações polêmicas acabaram arquivadas, como de que teria obtido de forma fraudulenta empréstimo de R$ 3,152 milhões do Banco da Amazônia à Frangonorte, da qual é sócio.

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

05 de agosto de 2009 | 00h00

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