Aliados do governo rechaçam CPI da corrupção

Um dia após o presidente Fernando Henrique Cardoso ter feito um discurso contra a rebelião da base no Congresso, PMDB, PFL, PSDB e PPB formalizaram numa nota a decisão de não apoiar nenhuma das propostas para criação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs). Os líderes dos partidos alegam que as "CPIs não podem servir de instrumento de vingança nem de manipulação política". O recado serve para o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e a oposição. Se dependesse deles, seria criada uma ampla CPI para investigar as denúncias de corrupção no governo.A iniciativa torna remota a possibilidade de abertura dessas investigações e isola ACM, único pefelista a defender a instalação de uma "CPI ampla". Daí porque ser ele, provavelmente, o alvo do último trecho da nota, segundo o qual "CPI não pode servir de instrumento de vingança nem de manipulação política nas mãos de quem age e até mesmo confessa agir ao arrepio da lei e da ética, divulgando material cujo sigilo é transferido para o Congresso para atingir determinados fins".As legendas aliadas respondem por 63 dos 81 votos dos senadores - mesmo com eventuais dissidências, o bloco da oposição, com 13 votos, o PSB, com 2 senadores, e o único voto do PTB, dificilmente conseguirão os 27 nomes regimentais para criar uma CPI no Senado. A chance de ser aberta uma CPI na Câmara é igualmente difícil. A proposta teria de entrar na "fila de espera", atrás de cinco outras comissões.De acordo com o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), a iniciativa de oficializar o repúdio às CPIs passou a ser articulada logo após Fernando Henrique ter afirmado num discurso que, "para quem for aliado, CPI é deslealdade"."Decidimos à noite, e hoje (sexta-feira), pela manhã, redigimos a nota", afirmou. Da conversa com os líderes, Machado disse ter concluído que, com exceção de ACM, não haverá dissidência nas siglas.A nota afirma que as propostas de CPIs "têm caráter inconsistente e notório propósito desestabilizador".A decisão dos aliados fortalece o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que, nesta quinta-feira, lançou um desafio a ACM e à oposição, quando manifestou apoio a uma CPI para apurar seu suposto envolvimento no desvio de cerca de R$ 10 milhões do Banco do Estado do Pará (Banpará). As informações constam de um relatório do Banco Central (BC) assinado pelo inspetor Abrahão Patruni Júnior. "Não saí enfraquecido, pelo contrário", disse Jader, pouco antes da divulgação da nota. "Desafiei meus adversários", completou.Até esta sexta-feira à tarde, Jader não havia recebido a cópia do relatório que pediu na terça-feira ao presidente do BC, Armínio Fraga.A amigos, o senador tem queixado-se quanto à atuação de servidores da instituição de "vazar" dados protegidos pelo sigilo bancário.

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