Aliados do governo que apóiam CPI da corrupção não serão punidos

O governo está nervoso com a perspectiva de criação da CPI para apurar corrupção no País, mas não pensa em retaliar os 22 aliados do PMDB, 11 pefelistas e dois tucanos que assinaram o requerimento em defesa da comissão. Segundo um interlocutor do presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda há esperanças no governo de se evitar a instalação da CPI, retirando assinaturas, mas a cautela neste caso tem razões mais pragmáticas do que a decisão de não aumentar a crise política decorrente da violação do painel eletrônico do Senado.O exame da lista dos 174 deputados e 27 senadores que apoiaram a CPI permitiu a um dos articuladores do governo concluir que o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) foi "espertíssimo", ao definir os nomes dos parlamentares carlistas que deveriam apoiar a investigação. "Ele escolheu a dedo aqueles cinco deputados que não têm apadrinhados em postos federais na Bahia, de forma que não temos como retaliar ninguém com demissões", disse o articulador.A operação para a retirada de apoio também fica dificultada porque o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA) consultou cada assinante da lista antes de divulgá-la pela Internet e só deu publicidade aos nomes dos parlamentares que julgam-se "imunes" à pressão do Planalto. Além deles, a oposição conta com uma "reserva estratégica" de mais uma dezena de deputados que pediram para não serem citados. A reserva das oposições é formada por aliados do governo.Estes deputados garantiram ao líder petista que não recuariam na decisão de apoiar a CPI, mas recusaram-se a ficar expostos ao assédio de emissários do presidente Fernando Henrique. Argumentam que, depois do requerimento protocolado na Mesa Diretora do Congresso na quarta-feira, a pressão do Planalto ficaria menos intensa.Os líderes aliados também têm deixado claro ao governo que a punição aos dissidentes da base não resolveria o problema. "A lista da CPI é constituída exatamente daqueles que estão insatisfeitos com o Executivo que não lhes atende nem lhes dá atenção", cobra um líder.Na avaliação deste aliado da base, "o governo está desorganizado, opera mal a relação com os parlamentares e o ministério não tem sequer noção do que é trabalho em equipe". Segundo o líder, o que permanece, a despeito da crise, é a velha situação em que os ministros demoram até 60 dias para marcar uma audiência com um parlamentar. Isto sem falar nas emendas dos políticos ao Orçamento da União. "Tem emendas de 1999 que não foram liberadas até hoje", garante o governista.

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