Aliados de Temer agem para aprovar fim de farra

Até Sílvio Costa, que liderava resistência, agora diz que tentará convencer colegas a endossar mudanças

Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de abril de 2009 | 00h00

A mobilização de aliados do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para aprovar no plenário o projeto que limita o uso de passagens aéreas e o temor dos deputados de um desgaste maior em suas bases eleitorais provocaram um recuo de parte de parlamentares contrários às regras anunciadas pela Mesa na semana passada. Um dos expoentes da resistência, o deputado Sílvio Costa (PMN-PE) disparou telefonemas no fim de semana para convencer os colegas a aprovar o projeto de resolução sem as mudanças que estavam sendo articuladas para ampliar a possibilidade de viagens pagas pela Câmara para cônjuges e filhos dependentes."Vocês podem perguntar se eu mudei de lado. Mas quem pensa reflete. E achei que essa discussão estava ficando pequena demais diante da importância da Câmara", alegou Costa, que ontem à tarde havia conversado com ao menos 50 colegas. "Se você entra em uma rua na contramão, você dá ré", comparou. "Estou propondo que a gente faça uma autocrítica. Precisamos dar uma resposta positiva à opinião pública." Costa, que estava em seu Estado no fim de semana, disse que andou pelas ruas para sentir a recepção da população e percebeu que seu argumento não convenceu os eleitores. "A tese não foi assimilada pela opinião pública e acabou confundida com os desmandos das passagens", argumentou. O deputado justificou, ainda, a mudança de posição com a defesa do presidente da Casa. "Essa construção da emenda (para alterar o projeto) estava parecendo uma coisa de confronto com o presidente. Neste momento Michel precisa de todos nós. É um grande presidente", disse. Aliados de Temer esperam pôr fim à crise das passagens e impedir que sua imagem se desgaste mais com a aprovação amanhã do projeto de resolução. Temer reúne os líderes partidários amanhã, em busca de apoio para levar o projeto a votação em regime de urgência. Na quarta-feira passada, ele enfrentou uma rebelião no plenário ao anunciar as medidas. Deputados reagiram contra a decisão e chegaram a anunciar que apresentariam recurso contra Temer. O projeto de resolução, cujo texto só foi apresentado dois dias depois por causa das articulações políticas, limita as viagens aos deputados e, no caso de seus assessores, com a comunicação à Mesa Diretora, no território nacional. Os gastos com a cota de passagens terão de ser divulgados, em até 90 dias, no site da Câmara. A proposta também estabelece que a verba seja usada no período de um ano, não havendo acúmulo de um exercício para o seguinte.O valor da cota de passagens varia de acordo com o Estado de origem do deputado. A maior cota, para os parlamentares de Roraima, será de R$ 14.989,95; e a menor, para a bancada do Distrito Federal, será de R$ 3.764,58. Os valores tiveram um corte de 20% em relação aos atuais. COLABOROU MARCELO DE MORAES

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