Aliados de Renan querem que seu julgamento seja secreto

Presidente do Senado presta depoimento ao conselho nesta quinta para esclarecer dados da perícia da PF

Cida Fontes, do Estadão

23 de agosto de 2007 | 19h10

Aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - processado no Conselho de Ética da Casa sob acusação de quebra do decoro parlamentar - retomaram as articulaçõess para que o voto, no julgamento do caso, seja secreto, a exemplo do que ocorreu, em 2000, na votação do processo contra o ex-senador Luiz Estevão, cassado pelo plenário em junho daquele ano.  Veja também:Renan depõe no Conselho de Ética Cronologia do caso Renan    Laudo da PF aponta que Renan operava com 'laranjas'Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Veja especial sobre o caso Renan Laudo da PF derruba argumentos de defesa de RenanPerícia da PF agrada aliados e adversários de Renan Calheiros Como o regimento do conselho é omisso quanto ao processo de votação, senadores da base aliada querem fechar o voto. Avaliam que, desse modo, haveria mais chance de Renan ser absolvido no conselho. Outro argumento favorável à votação secreta é o de que os 16 integrantes do Conselho, se abrissem o voto, estariam se antecipando ao julgamento no plenário do Senado. Consultado, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carrero, prestou assessoria informal a Renan. Ex-secretário geral da Mesa do Senado, ele citou o caso de Luiz Estevão como precedente. Na semana passada, o senador Welington Salgado (PMDB-MG), mencionou a possibilidade de requerer a votação secreta no Conselho. Como a perícia feita pela Polícia Federal (PF) em documentos apresentados pelo senador não foi conclusiva, apesar de apontar incongruências da defesa apresentada por Renan, senadores do PMDB entendem que isso pode favorecer o presidente do Senado no Conselho de Ética, mesmo porque os conselheiros não teriam provas concretas para pedir sua cassação. O senador Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan e um dos relatores do processo no conselho, entende que eventuais dúvidas poderão ser esclarecidas nesta quinta-feira com a presença do assistente de perícia que acompanha o depoimento que o presidente do Senado está prestando neste momento aos três relatores.  Entre os pontos a serem esclarecidos estão os empréstimos financeiros concedidos a Renan pelo empresário Tito Uchôa, primo do senador e apontado como seu preposto, e as notas de vacinação do gado vendido para, supostamente, pagar a pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem ele tem uma filha de três anos.  

Tudo o que sabemos sobre:
Caso Renan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.