Aliados de Renan querem ajuda do PT para adiar ações

Depois de desmarcar duas reuniões, Quintanilha marca encontro para decidir sobre unificação dos processos

Rosa Costa e Marcelo de Moraes, do Estadão,

01 de outubro de 2007 | 09h49

Por conta da pressão da oposição, o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), marcou para terça-feira, 2, reunião que decidirá se as três representações contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), serão unidas num só pacote.  Caso a reunião ocorra, é esperada a aprovação do parecer do relator João Pedro (PT-AM) pedindo suspensão do julgamento da segunda representação até que a Câmara examine a situação de Olavo Calheiros (PMDB-AL). O irmão de Renan é suspeito de ter feito negócios com a Schincariol após o senador supostamente ter intercedido no INSS e na Receita Federal em favor da cervejaria.  Veja também:Renan diz que acusação acabou como ficção de novelaEspecial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado   Favorecido pela demonstração de força de sua bancada, como ficou provado na derrubada da medida provisória que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, Renan e seus aliados esperam agora recuperar o apoio petista. Não para a missão de inocentá-lo novamente no plenário, mas para ajudá-los na tarefa de adiar ao máximo a votação das três representações. O trabalho vem sendo conduzido por Quintanilha. E é graças a ele que, passados 17 dias da absolvição de Renan, foram suspensas duas reuniões do órgão. Na semana passada, Quintanilha cancelou a sessão, sem maiores explicações. Na última quarta, além de alegar um mal-estar, coincidiu o horário da reunião com a de votações no plenário. O presidente do colegiado ainda não indicou relatores para duas representações contra Renan. Os aliados querem estender a tramitação das representações até o recesso de dezembro. A partir daí, acreditam, o clima de fim de ano pode esfriar a crise. Cansados do problema, governo e oposição dariam um jeito de convencer a opinião pública de que, no fim das contas, Renan será julgado pelas urnas. A tática leva em conta a necessidade de não expor novamente o PT à cobrança das ruas, como ocorreu ao ajudar a inocentá-lo. O fato de expor o poder do PMDB e ao mesmo tempo favorecer o partido de Lula embute recado claro ao Planalto: Renan não abrirá mão da sua defesa para ajudar o governo a votar projetos importantes como a prorrogação da CPMF.  Barreiras Pesa contra Renan, além das três denúncias, o fato de estar em busca de um novo advogado, após a renúncia de Eduardo Ferrão. O defensor se desligou do caso dois dias depois de ele escapar da cassação da primeira representação. Outro ponto negativo foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de barrar a operação montada por sua tropa de choque para obrigar o Conselho de Ética a adotar o voto secreto nos pareceres contra Renan. Uma das três representações contra o senador diz que ele teria laranjas à frente da sociedade que manteve com o usineiro João Lyra em um jornal e duas rádios. As outras duas tratam de suposto favorecimento da Schincariol junto ao INSS e à Receita e da suspeita de coleta de propina em ministérios do PMDB. Novas provas Além de tentar impedir o adiamento das sessões do Conselho de Ética, os defensores da cassação de Renan esperam que surjam novas evidências contra o senador. Depois de ser absolvido da acusação de que Cláudio Gontijo, lobista da empreiteira Mendes Júnior, bancou suas despesas pessoais, esses senadores avaliam que, se não surgirem novos fatos, dificilmente ele será condenado nas três representações que ainda serão analisadas. Na opinião do senador Renato Casagrande (PSB-ES), relator junto com Marisa Serrano (PSDB-MS) e Almeida Lima (PMDB-SE) da primeira representação contra Renan, o problema não é condená-lo no Conselho de Ética. "Lá, com voto aberto, o ambiente é francamente desfavorável a ele", diz. A questão será juntar provas suficientes para dobrar o plenário, onde o prestígio de Renan é alto. "Sem provas novas, essa tarefa será bem mais difícil", reconhece Casagrande que, em parecer conjunto com Marisa, pediu a cassação de Renan. O senador capixaba teme também que o ex-deputado e usineiro João Lyra acabe não depondo ao Senado no caso avaliado na terceira representação, que apura se Renan foi sócio oculto de duas emissoras de rádio e um jornal. Em entrevistas, Lyra tem confirmado a história, mas os defensores da cassação acham que depoimento público poderia ser decisivo.   

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