Aliados de Mercadante comemoram apoio de João Paulo Cunha

Aliados do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) comemoraram a notícia de que o deputado federal João Paulo Cunha deverá anunciar hoje o apoio de seu grupo político à pré-candidatura do líder petista ao governo do Estado de São Paulo. Apesar do envolvimento de João Paulo nas denúncias do mensalão e do esquema de caixa dois de campanha do PT, parlamentares ligados ao senador acreditam que a força política do deputado, em especial na região de Osasco (SP), aparece como um fator mais relevante no atual momento.De acordo com o deputado Vicente Cândido (PT-SP), o apoio do grupo de Cunha ajuda a consolidar o nome de Mercadante como favorito para as prévias agendadas para o dia 7 de maio, onde o senador disputará a cabeça da chapa petista em São Paulo com a ex-prefeita da capital, Marta Suplicy (PT-SP). "Isso pode ser decisivo para a vitória dele (nas prévias)", disse o deputado, que figura entre os articuladores da candidatura do senador.Cândido acrescentou que, do ponto de vista partidário, Mercadante só tem a ganhar com o apoio. João Paulo, segundo ele, ainda aparece como uma liderança forte no PT, o que ficou comprovado com a presença de cerca de mil pessoas em uma plenária organizada por ele no último domingo. No evento, a maioria do grupo político do parlamentar teria optado pelo apoio a Mercadante.Cândido reconheceu, no entanto, que as denúncias que atingiram João Paulo poderão ter algum impacto no que se refere ao ambiente externo ao partido. "Evidentemente, no plano externo, todos os que se envolveram nisso (em denúncias de corrupção), absolvidos ou não, têm arranhões", disse o deputado. "Mas apoio é sempre uma coisa boa", emendou. Na avaliação de Cândido, este é um problema que o PT irá solucionar em conjunto, deixando claro à sociedade que não voltará a cometer os mesmos erros do passado.Outro aliado de Mercadante, o deputado estadual Renato Simões (PT-SP), ressaltou que o apoio de João Paulo não representa uma manifestação individual, mas sim a de todo um grupo político ligado ao parlamentar. E, por isso, deve ser visto como algo que vai além das denúncias que atingiram o deputado. "É uma decisão de um grupo político, que envolve dezenas de dirigentes partidários, prefeitos e vereadores", afirmou Simões. "Isso ajuda a reunir muito apoio em torno da candidatura de Mercadante", acrescentou.Apesar do otimismo manifestado pelo grupo de Mercadante, aliados de Marta acreditam que apoio não será tão significativo para fortalecer a pré-candidatura do senador. Segundo o vereador Arselino Tatto (PT-SP), o quadro já está bastante definido para as prévias do PT e não tende a se alterar significativamente daqui para frente. "Eu acho que isso não vai alterar muito o quadro", disse o vereador. "A ex-prefeita, no meu entender, continua sendo a favorita", acrescentou.Tatto evitou dizer, no entanto, se acredita que a relação entre o nome de João Paulo e os escândalos de corrupção poderá afetar negativamente a pré-candidatura do senador. "É muito difícil avaliar isso", afirmou. "Não consigo entender como isso pode dificultar ou ajudar no atual momento."Na semana passada, Tatto chegou dizer que Mercadante deveria retirar sua pré-candidatura em favor de Marta. Na ocasião, ele argumentou que a ex-prefeita possui melhores condições de brigar com o tucano José Serra pela vaga no Palácio dos Bandeirantes, por possuir uma experiência administrativa sólida na capital paulista e por aparecer melhor posicionada nas pesquisas de opinião. No entanto, aliados de Mercadante descartaram de imediato a possibilidade e asseguraram que o senador levará sua pré-candidatura até o final do processo de decisão interna.Segundo assessores, Marta continua conduzindo as atividades relacionadas a sua pré-candidatura, com reuniões de articulação e participação em plenárias. Hoje, a prefeita deverá realizar principalmente reuniões internas e não estará presente nenhum evento público. O apoio do grupo político de Cunha a Mercadante deverá ser oficializado hoje, em um evento agendado para às 16h, na Assembléia Legislativa de São Paulo. Assessores do senador afirmaram que ele deverá permanecer em Brasília na tarde de hoje e provavelmente não estará presente.

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