Aliados de Marina rebatem declarações do presidente do PV

Em entrevista ao 'Estado', José Luiz Penna disse que ex-senadora 'foi autoritária' durante sua passagem pelo partido

Daiene Cardoso, da Agência Estado

12 de julho de 2011 | 17h25

Enquanto a ex-senadora Marina Silva preferiu silenciar sobre as declarações do presidente do PV, deputado federal José Luiz Penna (SP), os aliados dela rebateram as acusações do dirigente sobre o "autoritarismo" da ex-presidenciável. Envolvidos nas reuniões de criação do movimento suprapartidário que será lançado oficialmente em setembro, os apoiadores de Marina saíram em sua defesa e devolveram a Penna a acusação: "Quem tem caráter autoritário é o Penna, que esperou o desfecho do imbróglio para nos acusar", afirmou Maurício Brusadin, ex-presidente do diretório paulista do partido.

Segundo assessores, Marina leu os comentários de Penna e decidiu não se pronunciar, por considerar sua desfiliação do PV "página virada" em sua vida. Já o deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ) publicou um longo texto em seu blog explicando que se licenciou da legenda pelo "abandono dos ideais que motivaram a fundação do partido" e que só não deixa o PV, que ajudou a fundar, em respeito a seus eleitores.

Indignado com as afirmações de Penna, que ao jornal O Estado de S. Paulo disse estar aliviado com o fim do impasse envolvendo o grupo de Marina, Brusadin lamentou que o dirigente nacional não promova mudanças internas no PV. "Na entrevista, pelo menos ele foi sincero: avisa que os filiados não têm direito a voto, que os diretórios continuam provisórios e que o partido vai ouvir os outros para saber se terá candidato, ou seja, o PV continuará coadjuvante", criticou Brusadin, referindo-se à consulta ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para apoio à candidatura de seu secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, para a eleição de 2012. "É triste o presidente de um partido consultar o Kassab para saber se ele pode ter candidato. É triste porque o Eduardo é uma pessoa decente."

Na avaliação dos aliados de Marina, Penna tenta intimidar os apoiadores da ex-presidenciável ao dizer que o PV não será "barriga de aluguel" para Sirkis, uma vez que ele continua no partido para não correr o risco de perder seu mandato. "Ele (Penna) quer, através do autoritarismo, fazer demonstração de força, fazer ameaça", disse Brusadin.

Em seu blog, Sirkis afirma que poderá recorrer à Justiça Eleitoral para se defender de qualquer perseguição dentro do PV e faz uma advertência aos dirigentes para que não venham a praticar atos de perseguição ou novos atropelos ao ideário ideológico e programático da legenda. Apesar de mencionar que poderá recorrer à Justiça Eleitoral, Sirkis argumenta que ainda não perdeu as esperanças que o Partido Verde ainda possa ser historicamente recuperado para a causa de seus correligionários. O deputado diz estar disposto a ficar no PV até março de 2013, tempo que o partido teria para abandonar os "métodos de cooptação e clientelismo interno".

Marina Silva anunciou sua desfiliação na última semana para montar um movimento em defesa do verde e da cidadania. Ex-filiados, simpatizantes e apoiadores de sua campanha presidencial discutem o formato do novo projeto para lançá-lo em setembro. A partir deste movimento, o grupo de Marina pretende criar as bases para um novo partido, com pretensões políticas para 2014.

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