Aliados de José Rainha Jr. prometem 'janeiro quente' no oeste paulista

Em janeiro do ano passado, grupos ligados ao ex-líder do MST invadiram 38 fazendas na região

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 17h24

SOROCABA - Aliados do ex-líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, preso desde junho deste ano por suspeita de desvio de verbas públicas, anunciaram nesta sexta-feira, 23, que vão retomar em janeiro as invasões de fazendas no Pontal do Paranapanema e Alta Paulista, no oeste do Estado de São Paulo. O objetivo, definido em assembleias realizadas em acampamentos da região, é cobrar novos assentamentos e protestar contra a perseguição aos líderes sem-terra que atuam no oeste paulista.

As ações, programadas para o início do mês, serão reforçadas com trabalhadores das usinas de cana-de-açúcar que foram dispensados ao final da safra. "Vamos homenagear o nosso líder que está preso por perseguição política e repetir o janeiro quente que ele criou", disse o militante Luciano de Lima, do MST da Base, a dissidência do MST criada por Rainha.

Em janeiro do ano passado, os grupos ligados a José Rainha invadiram 38 fazendas no oeste paulista. A prisão do líder durante a Operação Desfalque da Polícia Federal deixou o movimento sem ação e tirou o ânimo da militância, segundo Lima. "Com ou sem o Zé (José Rainha) a luta precisa continuar. Os acampamentos que tinham perdido militantes estão recuperando, graças aos usineiros que já demitiram mais de dois mil trabalhadores este mês. Esse pessoal está nos procurando para entrar na nossa luta."

Entre as reivindicações dos sem-terra está a posse imediata de oito fazendas que já foram adquiridas ou desapropriadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e aguardam o parecer final da Justiça. "O dinheiro está na conta do fazendeiro, mas as famílias continuam sob a lona", disse Lima. Eles querem ainda a destinação para a reforma agrária de 92,6 mil hectares de terras do Pontal que já foram julgadas devolutas pela Justiça.

O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que invadir propriedades produtivas desgasta o próprio movimento que já não é bem visto pela sociedade. "Eles estão sem rumo e vão dar um tiro no pé", afirmou. A entidade que representa os fazendeiros vai acionar seu departamento jurídico para despejar os invasores e exigir reparação de danos sempre houver invasão. "Eles estão fora de moda e o Brasil não pode mais conviver com isso. Num país que quer chegar a algum lugar no mundo, invasão é um freio, é coisa do atraso".

 

 

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