Aliados de Dilma apresentam pedido de votação fatiada

Ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que representa a petista, tem dito considerar adequado julgar separadamente a cassação do mandato de Dilma e a inabilitação dela para exercer funções públicas

Isadora Peron, BRASÍLIA

31 de agosto de 2016 | 11h15

BRASÍLIA - O PT apresentou nesta quarta-feira, 31, um destaque pedindo que a votação do impeachment seja fatiada em duas. O texto foi acertado com a equipe da defesa da presidente afastada Dilma Rousseff. O texto do destaque foi acertado com a equipe da defesa da presidente afastada e foi lido pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) em plenário.

O texto pede para que seja votado em separado a cassação do mandato de Dilma e a inabilitação dela para exercer funções públicas. A estratégia visa preservar o direito de a presidente disputar eleições e ocupar postos de destaque na administração pública, ante a tendência mais provável de que o Senado a deponha. 

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), pediu para que o destaque seja negado.  O senador Rabdolfe Rodrigues (PSOL-AP) defendeu o pedido. 

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que representa a petista, tem dito considerar adequado julgar separadamente a cassação do mandato de Dilma e a inabilitação dela para exercer funções públicas. A estratégia visa a preservar o direito de a presidente disputar eleições e ocupar postos de destaque na administração pública, ante a tendência mais provável de que o Senado a deponha.

Interlocutores do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, sinalizam que a tese não deve ser aceita pelo ministro, pois, ao propor um roteiro para a votação, ele sinalizou que considera as penas indissociáveis. O documento foi discutido e aprovado por líderes dos partidos. Quaisquer alterações dependeriam também de consenso entre defesa e acusação, além de uma avaliação sobre se elas não afrontam a legislação.

Vanessa é uma das senadoras que deve encaminhar voto contra o impeachment durante a sessão. A votação será aberta, nominal e feita pelo painel eletrônico.

Posse. A senadora criticou o fato de o governo do presidente em exercício, Michel Temer, já ter marcado a posse para as 15h. Para ela, a rapidez com que o Temer quer ser confirmado na Presidência é algo típico de um governo "golpista". "É uma posse típica de golpista. Tudo rápido, feito meio às escondidas, sem discurso. É típico desse governo", disse. 

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