Aliados de Aldo dizem que Tarso favorece Chinaglia

Aliados da candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB) afirmam que o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, tem trabalhado claramente a favor da candidatura do petista Arlindo Chinaglia (SP) no processo de escolha do presidente da Casa.Eles reclamam que Tarso e outros petistas no governo, além de buscar votos na base, estariam promovendo liberação de recursos de emendas orçamentárias para peemedebistas apoiarem Chinaglia na reunião desta terça-feira da bancada do PMDB. Teriam sido liberados recentemente R$ 17 milhões, segundo esses aliados do atual presidente da Câmara. Tarso nega que tenha havido liberação de emendas. O ministro diz também que Chinaglia e Rebelo são seus candidatos e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve interferir na disputa.Os aliados de Aldo afirmam também que Tarso está tentando convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da viabilidade da candidatura de Chinaglia, depois de o presidente já ter manifestado sua preferência por Aldo. Aldo RebeloAo ser questionado, em entrevista, se considera que a disputa está sendo leal, Aldo disse apenas: "A disputa dentro da Câmara é leal", disse. Pela primeira vez, o atual presidente da Casa também foi menos diplomático ao comentar a disputa entre ele e o petista. "Não é uma disputa fratricida nem fraterna. É uma disputa política natural na democracia", afirmou.Sobre a eventual interferência do ministro, Aldo respondeu: "Não devo comentar as atribuições do ministro. Ele tem as suas responsabilidades. Creio que minha missão é fazer campanha e apresentar minhas propostas. A principal forma de responder a qualquer tentativa de interferência é fazer campanha entre os parlamentares", afirmou.Reunião de TarsoNa última segunda-feira à noite, o ministro de Relações Institucionais reuniu presidentes e líderes de partidos aliados para aferir os apoios aos dois candidatos. O resultado mostrou que a base está dividida. "A reunião de ontem foi de dirigentes partidários com suas responsabilidades institucionais. Hoje, tratamos com parlamentares integrantes de todos os partidos de que considero ter o apoio. Minha candidatura tem conseguido adesões muito importantes, tanto na base como na oposição", afirmou Aldo, após almoço que reuniu 32 deputados do PSB, do PCdoB, do PFL, do PSDB, do PMDB e do PP.Enquanto Aldo fazia críticas mais indiretas, seus aliados foram explícitos. "O ministro Tarso Genro tem de tomar toda a cautela para trabalhar com total isenção. A função dele é agregar, e não desagregar", afirmou o deputado e senador eleito Renato Casagrande (PSB-ES). "O papel do governo e do ministro Tarso Genro têm de se limitar ao esforço de ter um candidato único. A partir daí, pode-se estar passando das prerrogativas", afirmou o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo na Câmara. Os dois estavam no grupo que participou do almoço com Rebelo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.