Aliados cobram explicações e solução imediata para crise Palocci

Tradicionais parceiros do governo elevam tom das críticas; Paulinho pede saída de ministro e PC do B afirma que 'não há como negar a crise'

Daiene Cardoso e Evandro Fadel, da Agência Estado e de O Estado de S. Paulo

06 de junho de 2011 | 17h07

Tradicionais aliados do governo elevaram nesta segunda-feira o tom de crítica ao ministro chefe da Casa Civil Antonio Palocci, que se vê cada vez mais acuado e abandonado politicamente. A Força Sindical, presidida pelo deputado federal (PDT-SP) Paulinho, pediu a saída imediata de Palocci, "que passou a atrapalhar a vida do País", segundo o sindicalista.  Já o PC do B, fiel parceiro do PT, criticou publicamente o ministro e afirmou que "não há como negar a crise" que se instalou no governo Dilma Rousseff. Em editorial publicado no site Vermelho.org.br sobre a crise envolvendo a evolução patrimonial do ministro, a sigla não chega a falar em saída, mas defende também uma solução imediata para o problema. "As denúncias de enriquecimento ilícito e tráfico de influência, não explicadas nem satisfatoriamente respondidas por Palocci, abriram uma séria crise política e de governo", avalia o editorial.

Para Paulinho, Palocci deveria tomar a mesma atitude do ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Itamar Franco (1992-1994), Henrique Hargreaves, que, em razão de denúncias de irregularidades, afastou-se, voltando após provada a inocência dele. "É melhor para o Brasil ele se afastar, se explicar fora do governo, para que o País possa continuar crescendo", disse. De acordo com o deputado, Palocci vive uma "situação difícil". "Ele errou, primeiro porque deveria ter dado entrevista coletiva, segundo porque demorou muito para esclarecer, e não explicou nada", reforçou Paulinho. "Do nosso ponto de vista, isso só complicou."

Pessoalmente, o presidente da Força Sindical disse que não ficou convencido da inocência de Palocci. "Não entendo como alguém compra um apartamento de R$ 6,6 milhões, não entendo como alguém enriquece tão rápido", afirmou.

Divergências. O PC do B resolveu também tornar pública sua principal divergência com a atual gestão: a centralização de poder nas mãos do PT. Para o partido, o problema envolvendo Palocci é um mal que vem para bem. "Como não há males que não venham também para o bem, a crise pode ser também uma oportunidade para o governo superar os problemas que vieram à tona: hipercentralização de poderes numa só pessoa, decisões em núcleo fechado, hegemonia absoluta de uma só força política", diz o editorial.

O descontentamento do núcleo "vermelho" da base governista teve seu ápice com a indicação do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para assumir a Autoridade Pública Olímpica. Até às vésperas da nomeação de Meirelles, nem o ministro do Esporte, Orlando Silva, nem os dirigentes do partido foram consultados sobre o desmembramento da Olimpíada de 2016 da única pasta conduzida pelo partido.

Nos bastidores, os comunistas reclamavam dos "super poderes" de Palocci, mas na época, o partido engoliu a mágoa na expectativa de conseguir mais espaço no governo. "Perdeu um espaço, mas pode ganhar outro", comentou em fevereiro o presidente da legenda, Renato Rabelo.

Na opinião dos comunistas, a permanência da crise não interessa nem ao governo, nem aos partidos aliados. "Apenas as forças oposicionistas, que se encontram isoladas e se revelam política e eleitoralmente decadentes, têm interesse em que se estenda, amplie e aprofunde a crise no núcleo do governo Dilma", complementa. O editorial afirma ainda que a oposição se esforça em manter o governo em "turbulência".

No final do texto, os comunistas defendem a resolução imediata da crise e o fortalecimento da autoridade política da presidente Dilma Rousseff. "A crise que tem como pivô Antonio Palocci exige uma solução que fortaleça a autoridade da presidente Dilma na condução política do governo. Esta resposta corresponde aos anseios da base aliada e da maioria da nação".

 

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