Aliados cobram do PT reciprocidade eleitoral

PC do B apresenta ao ex-presidente Lula condições para apoiar Haddad em São Paulo; diretório estadual do PSB mantém divisão pró-tucanos

Paula Bonelli, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2012 | 22h02

A pouco mais de um mês da convenção eleitoral partidária do PT que homologará a sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad continua enfrentando impasses para formar aliança com o PSB e o PC do B no primeiro turno das eleições municipais.

Na reunião de duas horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na última sexta-feira, no Instituto Cidadania, o presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo, e o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva insistiram que somente um apoio do PT à candidatura de Manuela D’avila em Porto Alegre pode selar o acordo em torno de Haddad. Além disso, reivindicaram o mesmo tratamento para o senador Inácio Arruda (PC do B) em Fortaleza. Nessas duas capitais há resistência do PT local em abrir mão de ter candidato próprio.

Durante encontro com militantes do PSB ontem em uma churrascaria no centro de São Paulo, Haddad mostrou-se tranquilo: "Temos procurado respeitar o prazo dos partidos, eles não têm motivo para atropelar as suas discussões internas".

No mesmo dia, Haddad enfrentou uma situação delicada. O pré-candidato foi convidado para ser recebido no seminário promovido pela juventude do PSB em um hotel também no centro da cidade. Mas o encontro com a militância socialista teve de ser transferido para uma churrascaria nas proximidades. O organizador do seminário e secretário estadual da juventude socialista, Deivid Ramalho, chegou a reclamar do suposto uso eleitoral que Haddad faria do evento do PSB: "Ele não foi convidado, é um seminário fechado do partido. Se vier, não será recepcionado. Aqui não é local para discutir conjuntura política".

O convite para ir ao local foi feito pelo vereador Juscelino Gadelha, que organiza a ala pró-Haddad no PSB. Integrantes do seu grupo acusam o presidente estadual do PSB e secretário de Turismo do governo Alckmin, Márcio França, defensor do apoio à candidatura tucana de José Serra, de ter pressionado e trabalhado para que Haddad não fosse recebido no seminário.

Apesar do racha no PSB paulista, o comando da campanha de Haddad aposta num desfecho positivo. O diretório nacional do partido marcou para o dia 10 de junho reunião para definir alianças em São Paulo e no Brasil. Caso as resistências locais continuem, o QG haddadista se apoia na resolução Executiva Nacional do PSB, segunda a qual em cidades com mais de 200 mil eleitores a legenda local deve se submeter a decisão ao comando do partido. Porém, a intervenção não parece provável, já que França tem dito a interlocutores que quer discutir os parâmetros da coligação, mas não vai desrespeitar a decisão do Diretório Nacional, que já conseguiu garantias do apoio do PT em Mossoró (RN) e Duque de Caxias (RJ).

O coordenador da campanha de Haddad, Antonio Donato, afirmou que o assunto "vice" será discutido com as legendas que vierem a compor a coligação. "Se vier um partido maior que o PSB, como o PR, pleiteando o cargo, isso será levado em conta."

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