Aliados cercam Planalto com mais exigências

Os partidos da base governista aproveitaram o agravamento da crise política que fragiliza o governo e fecharam o cerco sobre o Palácio do Planalto, ontem. Em meio ao pedido de demissão do líder do governo na Câmara, Miro Teixeira (RJ), e boatos da queda do ministro da Casa Civil, José Dirceu, os partidos da base, com o PMDB à frente, articularam-se para pressionar o Planalto com todo tipo de exigências. PMDB, PL, PTB e PP reivindicaram mudanças na política econômica, cargos federais e dinheiro para atender suas emendas ao Orçamento. A temperatura da crise subiu logo cedo, com a confirmação da saída de Miro. Agravou-se no meio da manhã com a reunião da nova executiva nacional do PMDB, ampliada com a presença de deputados e senadores do partido. Todos cobraram "ousadia" na condução da política econômica. Ao mesmo tempo, pouco mais de 20 dos 53 deputados do PTB ensaiaram um levante contra o governo, revoltados com o mau atendimento dos ministros, a falta de recursos para bancar suas emendas e promessas de nomeações não cumpridas. "O clima está péssimo e a situação está beirando a insustentabilidade", resumiu o líder do PTB, José Múcio Monteiro (PE). Segundo um dos deputados presentes à reunião da bancada petebista, vários parlamentares deram "o aviso prévio do desembarque" do governo. Isto, caso não haja uma virada positiva na economia até junho, quando começa a campanha eleitoral. O que mais irritou os deputados do PTB e do PP, ontem, foi a descoberta de que o governo havia prometido os mesmos cargos - uma diretoria nos Correios, outra no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes e a última na Eletronorte - às duas legendas. Crise crescente e contaminante"A crise estava restrita a nichos dentro dos partidos, mas é crescente e já contaminou toda a base aliada", disse Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Ao mesmo tempo em que a direção do PMDB divulgava nota oficial exigindo do governo a correção da tabela do Imposto de Renda, entre outras medidas, líderes e presidentes do PTB, PL e PP almoçavam na casa do presidente do PL, deputado Valdemar da Costa Neto (SP). Foi um movimento de pressão sobre o Planalto. Para o líder do PL na Câmara, Sandro Mabel (GO), o governo deve definir os rumos do desenvolvimento: "Somos aliados e queremos que o governo nos escute." "Vamos construir uma agenda para que se possa liberar as emendas e o dinheiro chegar nos municípios", disse o presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE). "É preciso que o governo desemperre a máquina e libere recursos para que a economia possa andar." Os aliados admitem que sempre que o governo enfrenta queda de popularidade e começa a precisar dos deputados, a situação vai ficando difícil para o governo. "É o jogo da oferta e da procura", resumiu Sandro Mabel.

Agencia Estado,

25 de março de 2004 | 06h28

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.