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Aliados cedem e tucana presidirá CPI dos Cartões

Acordo só foi possível depois da interferência de Lula, que enquadrou o PT da Câmara; PSDB indicou senadora Marisa Serrano à presidência

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2008 | 00h00

Após 20 dias de negociação, o governo cedeu e entregou ao PSDB a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que vai investigar o mau uso dos cartões corporativos. A oposição ameaçava criar uma segunda CPI, caso a base aliada resistisse a compartilhar o comando das investigações. O entendimento foi possível depois da interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enquadrou o PT da Câmara e obrigou a bancada de deputados a dividir o comando da CPI com os tucanos. Parte dos petistas ficou insatisfeita com o acordo e ensaiou uma rebelião no início da noite de ontem."Estamos preocupados que se abra um precedente grave ao não cumprirmos a regra do jogo", argumentou o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE). "Foi uma concessão que o governo fez à oposição. O melhor seria ter mantido o comando da CPI com as maiores bancadas do Congresso, que são o PT e o PMDB", disse o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS).O PSDB indicou a senadora Marisa Serrano (MS) para a presidência da comissão. Para a relatoria foi designado o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). Inconformados, os deputados petistas cogitaram propor uma troca de funções na CPI: o Senado ficaria com a relatoria e a Câmara, com a presidência.O PT da Câmara foi o maior empecilho nos últimos dias ao acordo. Depois que foram enquadrados por Lula, os petistas tentaram reduzir a importância da CPI. "Essa CPI é totalmente dispensável, porque o uso dos cartões corporativos já está sendo investigado pelo Ministério Público. Serve mais para alimentar um ambiente de conflito", observou Fontana.VITÓRIAO acordo é uma vitória do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que há mais de duas semanas trabalha para que a oposição fique com a presidência da CPI. Jucá argumentou que situação no Senado ficaria "insustentável", caso não se chegasse a um entendimento.O acordo foi formalizado pela manhã, no Palácio do Planalto, em encontro com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB-PE), Fontana e Jucá. Uma das condições impostas foi que o PSDB não poderia indicar o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). "O mais importante neste momento é instalar a CPI para investigar. Meu nome estava servindo de entrave e obstáculo e, por isso, declinei do convite", disse Jarbas. O governo também impôs que o escolhido não fosse um "tucano raivoso". De perfil conciliador, Marisa chegou à presidência da CPI dos Cartões depois de ter sido uma das relatoras no Conselho Ética das denúncias contra o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL). "Vou fazer o possível para que a CPI tenha resultado", disse.

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