Aliados adiam votação para poupar senador

Indicação para DNIT sai de novo da pauta e até quem votou a seu favor já admite desgaste com a situação

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2021 | 00h00

Após duas tentativas frustradas de provar à oposição e ao Palácio do Planalto que o Senado pode voltar à normalidade sob seu comando, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi poupado ontem, pela terceira vez, de testar sua força. Preocupados em evitar confronto aberto com a oposição, os líderes governistas decidiram adiar novamente a votação da indicação de Luiz Antonio Pagot para o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) para quarta-feira. Pior, até aliados de Renan já avaliam que o cacife de 46 votos que o livraram da cassação na semana passada começa a minguar."Há um certo cansaço, sim, de todo mundo. A oposição, a situação e até a imprensa estão cansados desta crise", admitiu o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos expoentes da tropa de choque do presidente do Senado. "Há senadores que votaram com Renan à espera de um gesto, mas o gesto não veio", comentou o senador Papaléo Paes (PSDB-AP), referindo-se à expectativa de que ele saísse de licença ou férias. Papaléo é contabilizado como um voto duvidoso do PSDB, que fechou questão para cassar o presidente do Senado. "Eu, se fosse Renan, teria renunciado à presidência depois da votação, com um grande discurso proclamando a vitória do reconhecimento de sua inocência." Logo em seguida ao julgamento, a expectativa geral era de que ele saísse de cena ao menos por uns dias, para distender o ambiente político e dar uma trégua aos aliados que enfrentaram a oposição e a opinião pública. O próprio Planalto tinha a expectativa de que Renan deixasse o cargo.Mas agora, segundo um líder governista, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabe que não tem como pedir a Renan que entregue o cargo. Seu futuro dependerá do desempenho frente ao plenário - e a semana que vem será balizadora sobre seu destino."Eu não estou me sentindo testado, até porque, se vai ou não haver quórum na votação, não é comigo. É problema do governo, dos líderes e da bancada do governo, e não do presidente do Senado. O papel do presidente não é pôr quórum em plenário; é conduzir as sessões", defendeu-se Renan ontem. Na véspera, no entanto, ele também participara da ofensiva dos líderes para garantir presença em plenário e aprovar o nome de Pagot. Diante do fracasso, chegou a acusar o senador Aloizio Mercadante (PT) de trabalhar para retirar quórum da sessão. Ontem, voltou à carga, dizendo que Mercadante era menor do que o PT, que lhe mantém o apoio. "O que está em jogo não é meu tamanho nem o tamanho do PT. É o tamanho do Senado, que é maior que todos nós", reagiu o petista. "O maior dever do presidente da Casa é defender o Senado e a melhor forma de Renan fazer isso neste momento é se afastar da presidência."

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