Aliados acreditam em vitória apertada de Renan

Mesmo que seja absolvido, governo e oposição dizem que senador não tem condições de ficar na presidência

CIDA FONTES, Agencia Estado

11 de setembro de 2007 | 14h12

Senadores da oposição e do governo passaram a manhã desta terça-feira, 11, fazendo contas e prognósticos sobre a votação do processo de cassação do mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), marcado para as 11 horas desta quarta-feira.  Os aliados do peemedebista avaliam que ele conseguirá preservar seu mandato por uma diferença apertada. Pelas contas, os opositores teriam 37 votos, não chegando ao quorum de 41 votos necessários para a cassação do mandato. Na estimativa de oposicionistas, a situação de Renan teria piorado com o retorno dos senadores de suas bases eleitorais.  Veja também:Renan pede voto por telefone e aliados temem reviravolta'Torço para que decisão sobre Renan seja respeitada' Veja especial do caso Renan   Planalto vê fim da linha para senador Lobista ligado a Renan recebeu dólares em NY Mas pelo menos em um ponto a oposição e governo concordam: mesmo se ganhar Renan não tem condições de permanecer no cargo de presidente da Casa. A sua insistência em se manter no comando do Senado poderá prejudicar o governo que precisará de um ambiente político equilibrado para a votação da emenda que prorroga a CPMF.  Por isso, os próprios aliados de Renan vão tentar convencê-lo a pedir uma licença de seis meses, pelo menos, da presidência, se eventualmente for absolvido pelo plenário. Um gesto antecipado de Renan de deixar claro essa intenção, poderá ajudá-lo a salvar o mandato.  Pelas contas, seis senadores trocariam de voto para ficar com ele. Essa situação está sendo tratada com discrição mesmo porque ninguém quer ser acusado de promover um acórdão no plenário. "Não aceito esse tipo de acordo", afirmou o senador Renato Casagrande (PSB-ES). Caso seja absolvido, Renan tem pela frente mais três acusações contra ele: a de que teria favorecido a empresa Schincariol, a de que usou "laranjas" para comprar emissoras de rádio em Alagoas e a de que negociava propinas em ministérios do PMDB. Sobre esta última, a representação do PSOL ainda não foi encaminhada ao Conselho de Ética. E os senadores já discutem nomes para substitui-lo. A cúpula do PSDB já anunciou que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) é o seu candidato a ocupar a presidência do Senado.  Último esforço Em busca de apoio para salvar seu mandato, Renan reforçou nesta terça-feira o apelo aos colegas e está concluindo um documento de defesa, que será entregue aos senadores. Renan está telefonando a cada senador, para repetir que nada foi provado contra ele.  Ao chegar nesta tarde ao Congresso, Renan descartou a possibilidade de renunciar ao cargo ou pedir licença da presidência da Casa. "Qualquer coisa que diga respeito a licença ou renúncia não faz parte da minha personalidade', disse. Renan lembrou que durante 120 dias "com sofrimento e com exposição da minha família venho lutando para provar minha inocência". E acrescentou: "Por isso, não tem sentido, absolutamente nenhum sentido que agora se faça isso (renúncia ou licença)."

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