Aliados aconselham deputado a renunciar ainda hoje

Ameaças feitas por ele na votação do imposto sindical o teriam desgastado dentro da Câmara

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

03 de junho de 2008 | 00h00

Diante do clima pró-cassação, um grupo ligado ao deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, aconselha o parlamentar a renunciar hoje, antes da abertura de processo pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. O pedetista tem até o início da sessão do colegiado para decidir se abre mão do mandato. A expectativa é de que o novo presidente do conselho, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), instaure hoje o processo de cassação e escolha o relator.Deputados ligados a Paulinho argumentam que, com a renúncia, ele poderá sair como vítima do imbróglio, além de conservar o seu poder na central sindical que comanda. Um inconveniente, ponderam, é que nesse cenário o processo sairá da esfera do Supremo Tribunal Federal (STF), sendo remetido à Justiça comum.Caso seja cassado, no entanto, o grupo avalia que a situação será ainda pior. Se perder o mandato, Paulinho ficará totalmente enfraquecido no sindicato e ainda levará a reboque o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), a quem é ligado.MÁ VONTADENão são apenas as provas colhidas pela Polícia Federal contra o deputado que poderão levar à perda de mandato. Pesa contra o pedetista a má vontade de seus companheiros de Congresso, que ficaram irritados com as suas ameaças, há um ano, de expor "em postes" o nome de todos aqueles que votaram pelo fim da obrigatoriedade do imposto sindical.Além disso, Paulinho é especialmente mal visto pelos parlamentares paulistas, que o acusam de usar a máquina sindical para se eleger.O duro parecer do corregedor da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), contra o pedetista reflete o sentimento da Casa, que vê o parlamentar como "arrogante", por comandar uma massa de manobra sindical. A "voracidade", segundo parlamentares, de Inocêncio contra Paulinho também teria como pano de fundo a sua campanha para manter-se em algum cargo na Mesa Diretora. As eleições para a Mesa são em fevereiro do ano que vem, mas Inocêncio já estaria angariando votos. Além disso, Paulinho teria ainda rusgas antigas com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), da época em que o petista comandou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo.

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