Luis Macedo | Câmara dos Deputados
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Aliado diz que Cunha já esperava ser preso

Deputado Paulinho da Força (SD-SP) afirma que deputado cassado pensava em prisão desde o momento em que foi cassado; sobre chance de delação, parlamentar afirmou que 'depende da família também'

Igor Gadelha, Valmar Hupsel Filho e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 15h41

BRASÍLIA - Um dos principais aliados do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, disse nesta quarta-feira, 19, que o peemedebista já esperava ser preso, após ter o mandato cassado, em 12 de setembro.

“Ele achava que os caras poderiam prender. (...) Desde a cassação dele,  sempre achou que a qualquer hora poderia ser preso”, afirmou Paulinho, que disse ter falado a última vez com o aliado pessoalmente em Brasília, na segunda-feira ou terça-feira antes do feriado de 12 de outubro.

O deputado disse não saber se Cunha fará delação premiada. Segundo ele, antes de ser preso, o peemedebista falava que não delataria. “Não dá para falar sobre isso. É uma questão de cada um. Depende da família também”, disse o parlamentar, que é presidente do Solidariedade.

Paulinho da Força ainda brincou dizendo que, na prisão, o aliado terá mais tempo para escrever o livro sobre o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Cunha foi o presidente da Câmara responsável por autorizar a abertura do processo, em dezembro de 2015.

“Agora ele vai ter mais tempo”, afirmou presidente do Solidariedade. Paulinho disse que pretende ir visitar o ex-ministro José Dirceu (PT) em Curitiba, onde o petista também está preso, e aproveitar a viagem para visitar Eduardo Cunha.

Solidariedade. Um dos mais ferrenhos defensores de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse que, diante da prisão do ex-presidente da Casa na tarde desta quarta-feira, 19, nada pode mais fazer senão se solidarizar. "A defesa (cassação) foi jurídica e política na Câmara. Agora não tenho mais nada a fazer senão me solidarizar", disse ele logo após a decretação da prisão preventiva.

"Foi surpreendente. Estava correndo o prazo consentido para a defesa. Não conheco os motivos que levaram o MP solicitar esta medida extrema, que é a prisão preventiva, agora é torçer para que a Justiça seja feita", disse o peemedebista.  

Segundo Marun, a prisão de Eduardo Cunha não é mais assunto político. "É jurídico. Agora é torçer para que seja respeitado o devido processo legal e avançar", disse. 

Aliado próximo de Cunha, Marun disse que o deputado cassado nunca lhe externou a intenção de fazer delação premiada. "Falei com ele pessoalmente no dia 13 de setembro, dia seguinte à cassação que aconteceu no dia 12. De lá para cá troquei rápidas palavras com ele por telefone e ele nunca falou em fazer delação ou qualquer coisa a respeito", disse.  

Preocupação. Aliado do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), afirmou que a prisão do peemedebista "assusta e deixa todos preocupados".

"Claro que é um fato que assusta e deixa todos preocupados", afirmou Arantes ao Broadcast Político. Questionado sobre por que a prisão de Cunha preocupa, o líder disse: "Quem teme é que tem que se preocupar. É igual quando o banco resolve cobrar os clientes. Quem deve fica preocupado". 

O parlamentar afirmou, também, que a prisão de Cunha já era prevista. "A qualquer momento poderia acontecer, e aconteceu. Já estava escrito que ele seria chamado a pagar pelo que cometeu", disse Arantes, que foi relator do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara. 

Apesar de dizer que a prisão "assusta" e "preocupa", Arantes afirmou não ter como saber se Cunha vai fazer delação premiada. Ele diz nunca ter conversado com o peemedebista sobre esse assunto antes. 

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