Aliado de Temer pede impugnação da candidatura de Jobim

A briga pela presidência do PMDB pode ultrapassar os limites da convenção nacional do próximo domingo, chegar aos tribunais e dar ao vencedor uma hegemonia inédita no comando partidário. Uma sucessão de erros na apresentação da chapa do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e candidato a presidente do partido, Nelson Jobim, abriu brecha para um pedido de impugnação da candidatura, apresentado nesta segunda-feira, 5, ao partido pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas o próprio deputado confidenciou a amigos que seu recurso administrativo não visa a pôr fim na disputa.Cunha não quer impedir a convenção pela via judicial. Confiante na reeleição do atual presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), ele fez um movimento político de olho nas vagas que a chapa de Jobim eventualmente obtiver no futuro diretório nacional do PMDB. Como a contabilidade da campanha da reeleição aponta vitória, com cerca de 60% das vagas do diretório nacional, o objetivo é deixar que Temer vença Jobim no voto, para buscar, na Justiça, os 40% restantes, que caberiam aos dirigentes eleitos pela chapa de Jobim. Afinal, a direção partidária é composta na proporção exata dos votos que cada candidato alcançar, no universo de 782 votos dos convencionais.Ciente da movimentação de seu aliado, o próprio Temer tratou de esclarecer que não participará de nenhuma manobra política para vencer Jobim "no tapetão", recorrendo à Justiça para impedir a candidatura adversária. "Do ponto de vista legal a chapa apresentada por Jobim é inaceitável, porque está incompleta, mas não quero que isto (o recurso) vá para o Judiciário, nem quero tumultuar a convenção", disse Temer.Os erros políticos e legais do candidato Jobim não param aí. Ao apresentar a deputados e senadores o "Manifesto da Unidade", justificando sua candidatura, ele incluiu nomes de governadores, deputados e senadores na lista de apoios que exibiu ao final, à revelia dos apoiadores. Foi assim com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), e com o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), que aproveitou a visita de Jobim ao Congresso, para pedir que retirasse seu nome de sua chapa. Também citado na chapa de Jobim entre os apoiadores do manifesto, embora participe da do time adversário, o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) comunicou a Temer, oficialmente, que não autorizara a inclusão de seu nome.Texto ampliado às 21h04

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