Aliado de Renan, Salgado não vê indícios para cassação

Conselho de Ética deve decidir nesta quarta-feira o pedido de cassação contra presidente do Senado

05 Setembro 2007 | 11h43

O Conselho de Ética discute nesta quarta-feira, 5, o relatório que pede a cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em processo no qual é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da Mendes Júnior. O parecer dos relatores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) citavam oito irregularidades que caracterizariam quebra de decoro.  Veja também:  Veja a cronologia do caso Renan  Entenda como tramitará o processo contra Renan  'Vamos ganhar', diz Renan sobre votação de sua cassação Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Nova denúncia: Renan tem de explicar propinas   O primeiro a justificar seu voto foi Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos aliados de Renan no conselho. Salgado, que chegou a ser relator do caso por menos de 24 horas, votou pela não cassação. Segundo ele, a "simples" amizade de um senador com um funcionário de empreiteira não pode caracterizar quebra de decoro. Salgado disse ainda que Renan contou com o apoio de um amigo em um assunto que exigia "discrição" e não se prova que a Mendes Júnior tirou qualquer proveito da relação.  "Sem leviandades, pode-se dizer" que Renan não faltou com a verdade ao se defender da acusação. "Em alguns minutos, deveremos julgar. E o ato de julgar, por sua gravidade, por sua seriedade, é incompatível com a influência das paixões, dos interesses político-partidários, e mesmo dos sentimentos menores, tão presentes na nossa condição humana", afirma.  Hoje ainda deverá ser realizada uma sessão extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para decidir se o processo será ou não admitido. Se for, na semana que vem irá a votação no plenário. E, neste caso, o voto dos senadores será secreto.  Depois de exatamente três meses de tramitação da representação do PSOL, Renan não conseguiu explicar suas ligações com o lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, que entregava à jornalista Mônica Veloso (com quem tem uma filha de três anos) dinheiro para custear suas despesas pessoais.  Além do processo votado nesta quarta-feira, Renan é alvo de outras duas representações. Uma delas, de iniciativa do PSOL, se refere a seu suposto lobby na Receita Federal e no INSS para favorecer a cervejaria Schincariol, após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), seu irmão. A outra, apresentada pelo DEM e pelo PSDB, pede que seja investigada a sociedade de Renan com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em Alagoas em nome de laranjas. (Com Rosa Costa, do Estadão)

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