Aliado de Renan preside conselho

Oposição aposta que Paulo Duque poupará Sarney

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2009 | 00h00

Um dia depois de mostrar ter o controle sobre a CPI da Petrobrás, o governo deixou claro que vai tentar barrar qualquer investigação sobre o aliado e presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Com dez votos a favor, quatro em branco e uma abstenção, elegeu para a presidência do Conselho de Ética o senador Paulo Duque (PMDB-RJ), aliado do líder do partido, Renan Calheiros (AL), que deverá mandar arquivar as denúncias do líder do PSDB, Arthur Virgílio, e a representação do PSOL contra Sarney. A primeira reunião do conselho será em 5 de agosto. Em protesto contra a escolha de Duque, PSDB e DEM votaram em branco. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) havia sido indicado pelo líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), para presidir o conselho. O nome foi vetado por Renan com o argumento de que Valadares será candidato à reeleição em 2010 e poderia ficar mais suscetível à pressão da opinião pública, não permitindo a blindagem de Sarney. Segundo suplente do governador do Rio, Sérgio Cabral, Duque não disputará a próxima eleição. "O Paulo Duque foi uma escolha pragmática, tendo em vista que muitos senadores vão se candidatar nas eleições do ano que vem", observou o senador Delcídio Amaral (PT-MS). Pelo artigo 14 do regulamento do conselho, o presidente tem poderes para mandar arquivar a representação e as denúncias contra Sarney, se considerar que os fatos referem-se a período anterior ao mandato ou são improcedentes.O presidente do Senado foi denunciado por quebra de decoro, pela edição de atos secretos e por ter mentido ao afirmar que não tinha participação na administração da Fundação José Sarney. A entidade recebeu patrocínio da Petrobrás e teria desviado R$ 500 mil.A oposição aposta que Duque poupará Sarney e, se isso ocorrer, vai recorrer ao plenário do Senado. Se o conselho concordar com a abertura de processo contra Sarney, ele poderá ser obrigado a se afastar da presidência. O afastamento, entretanto, tem de ser aprovado pelo Conselho de Ética, onde o senador conseguiu maioria.

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