Aliado de José Arruda confirma bilhete, mas nega suborno

Dinheiro seria para que Edson Sombra afirmasse que teriam sido manipuladas gravações em vídeo

Carol Pires, da Agência Estado,

05 de fevereiro de 2010 | 17h24

O bilhete repassado à Polícia Federal (PF) pelo jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Edson Sombra, é de autoria do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), informou sexta-feira, 5, a um grupo de jornalistas, em Brasília, o deputado distrital Geraldo Naves (DEM), aliado do governador. Sombra foi quem encorajou Durval Barbosa a revelar como funcionava o esquema de corrupção chamado "Mensalão do DEM", que o governador é acusado de chefiar. Sombra disse à Polícia Federal que o bilhete indica uma tentativa de Arruda de suborná-lo para que prestasse depoimento negando participação do governador no esquema, mas Naves negou.    

 

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Sombra entregou o bilhete à PF em depoimento logo após a prisão do servidor público Antônio Bento da Silva, conselheiro do Metrô do Distrito Federal flagrado pela PF entregando R$ 200 mil ao jornalista. O dinheiro seria um suborno para que Sombra afirmasse que teriam sido manipuladas as gravações em vídeo feitas por Durval Barbosa, com autorização judicial, nas quais vários deputados distritais, secretários de governo, assessores e o próprio Arruda aparecem recebendo maços de dinheiro que seriam pagamento de propinas.

 

Antonio Bento disse à PF que os R$ 200 mil lhe foram entregues por Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário particular de Arruda. O bilhete atribuído ao governador foi entregue a Sombra pelo deputado Geraldo Naves. Durval Barbosa foi secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal. No bilhete, estão escritas cinco frases não interligadas - "gosto dele"; "sei que tentou evitar"; "quero ajuda"; "sou grato"; e "Geraldo está valendo" -, além da expressão "GDF ok". GDF quer dizer Governo do Distrito Federal.

 

"O item que diz 'quero ajuda' foi uma forma carinhosa de falar com os amigos e com outras pessoas que pudessem ajudar neste momento difícil que (o governador) está passando pela crise. Foi um bilhete tão normal, ingênuo. Não tem nada a ver uma coisa com outra", afirmou o deputado Geraldo Naves. A jornalistas que o entrevistaram pelo sistema viva-voz de um telefone celular, Naves relatou que Sombra lhe telefonou assim que foi deflagrada a Operação Caixa de Pandora, da PF, que desvendou o esquema de corrupção.

 

Segundo Naves, Sombra estaria preocupado com o patrocínio do governo local ao jornal em que ele trabalha. "O Sombra pediu para que eu dissesse que ele não tinha nada com isso (as denúncias feitas por Durval). O Arruda escreveu o bilhete e disse que não tem nada contra o Edson", relatou Naves.

Caso seja comprovado que o governador foi o mandante de uma tentativa de suborno, Arruda pode ser preso por "obstrução da Justiça".

 

A assessoria de imprensa do governador afirmou, em nota oficial, que a denúncia é "uma farsa grotesca". Segundo o deputado Geraldo Naves, a mensagem não tem relação com a tentativa de suborno. Seria, segundo ele, um sinal de que o governador não estava chateado com Sombra. O deputado confirma ter entregado a mensagem do governador no início de dezembro de 2009.

 

Sombra havia dito à PF que a entrega se deu em janeiro deste ano. Naves é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal, colegiado responsável pela análise dos três pedidos de impeachment do governador.

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