Aliado de Jader é indiciado por formação de quadrilha

O empresário Romildo Onofre Soares, aliado político do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), foi indiciado pela Polícia Federal em quatro tipo de crimes, incluindo formação de quadrilha e de organização criminosa. Soares é um dos principais envolvidos nas fraudes em financiamentos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazonia (Sudam). O empresário prestou depoimento hoje na PF em Palmas (TO), mas recusou-se a responder às perguntas.O delegado que apura o caso, Hélbio Dias Leite, formulou 60 perguntas, mas em todas elas Romildo Soares afirmou que só responderia em juízo. Mesmo assim, Dias Leite indiciou o empresário, já que outros depoimentos prestados por pessoas ligadas a Soares, além de escuta telefônica e documentos, apontavam indícios de seu envolvimento em fraudes da Sudam.Romildo Onofre Soares foi indiciado por formação de quadrilha e organização criminosa por liderar um grupo que aplicava golpes na Sudam, por meio da criação de projetos que recebiam dinheiro público. Além disso, ele foi indiciado por crime do colarinho branco por utilizar meios fraudulentos para obter os financiamentos, que foram desviados para outras finalidades.O delegado Dias Leite ainda incluiu Soares na lei de sonegação fiscal, já que o empresário utilizou notas fiscais falsas ou frias para justificar gastos dos recursos recebidos da Sudam. O empresário ainda está respondendo por outro crime fiscal por ter ajudado na falsificação da declaração de Imposto de Renda de dois empregados, que foram utilizados como "laranjas" do esquema de criação de projetos.O empresário é aliado do senador Jader Barbalho em Altamira, onde o presidente do Senado tem um dos principais redutos eleitorais. Além de sua família possuir projetos suspeitos na cidade, que também receberam dinheiro público da Sudam, Soares criou os projetos Refrigerantes Xuí, Frango Líder e Paraíso Agroindustrial, em Paraíso do Tocantins (TO), também de forma fraudulenta, conforme as investigações da PF e da Secretaria Federal de Controle.Além do empresário, outras sete pessoas foram indiciadas hoje pela PF, incluindo seu sogro, Pedro da Silva Sobrinho, seu filho Ronaldo Soares, dois empregados, um contador responsável pela criação das empresas em Paraíso do Tocantins e outras duas pessoas também apontadas como "laranjas" do esquema. O próximo passo da PF é ouvir José Soares Sobrinho e Sebastião Soares, irmãos de Romildo, que também possuem empreendimentos financiados pela Sudam no Pará e Amapá.

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