Aliado de Ciro é suspeito de fraude no Banco do Nordeste

Segundo revista, acusado também foi arrecadador de campanha do deputado

O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) estão investigando suspeita de fraude no Banco do Nordeste envolvendo um aliado e responsável pela arrecadação de recursos para a campanha do deputado e ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes (PSB-CE) e de seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), segundo reportagem publicada na edição da revista Época desta semana.Victor Samuel Cavalcante da Ponte, diretor de Administração do Banco do Nordeste, teria assinado um acordo que beneficiou a empresa Frutas do Nordeste do Brasil (Frutan), informa a reportagem. De maneira irregular, informa a publicação, uma dívida da Frutan com o Banco do Nordeste teria sido reduzida de R$ 65 milhões para R$ 6,6 milhões.Segundo a Época, o diretor não tinha competência funcional para assinar o acordo e a redução da dívida teria desobedecido a uma proibição expressa da Advocacia-Geral da União (AGU). O entendimento entre o banco e a empresa não poderia ter sido feito fora da Justiça porque envolveria recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Nordeste, criado para financiar projetos na região.A Época aponta também que, em junho do ano passado, época da autorização para a redução da dívida e quatro meses antes das eleições, Ciro encaminhou carta a empresários apresentando Ponte como arrecadador de sua campanha e da campanha de seu irmão Cid.A reportagem afirma que, impedido de fechar acordo com a Frutan, o Banco do Nordeste pediu a interferência do Ministério da Integração Nacional, então chefiado por Ciro, que encaminhou um pedido à AGU para que modificasse a decisão contrária ao acordo. No entanto, a AGU manteve seu parecer, argumentando que não havia respaldo legal para o que pretendim as duas partes envolvidas.A empresa, sediada no Piauí, produz limão para exportação e está em nome de empresários do Rio de Janeiro, segundo a revista. A Frutan teria pedido revisão da dívida em 2005. De acordo com a Época, Ponte responde a processo administrativo. A comissão de investigação no banco tem o prazo de 30 dias para apresentar o resultado do inquérito.Em entrevista à revista, o diretor administrativo do banco nega ter recebido dinheiro da Frutan, nem mesmo como contribuição para a campanha eleitoral de Ciro. O deputado, segundo a publicação, disse que Ponte teria assinado o documento em caráter pessoal, registrando uma posição que seria tomada pelo banco, a pedido dos donos da Frutan, e que esse documento não teria valor porque não foi uma decisão coletiva. Ainda de acordo com a Época, Ciro considerou a decisão de Ponte errada e chegou a dizer isso a ele. ''''Quem errou que pague'''', afirmou Ciro à Época.

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